Por que golfinhos desta região vivem até 7 anos a menos que o normal

Um estudo citado pela Revista Galileu aponta que golfinhos do Atlântico Norte estão vivendo, em média, até sete anos a menos do que o esperado. A pesquisa indica que pesca industrial, poluição química, ruído marítimo e mudanças climáticas — todos fatores ligados à ação humana — estão por trás da redução da expectativa de vida desses animais

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Golfinhos conhecidos por sua inteligência e longevidade estão morrendo mais cedo em algumas regiões do planeta. Em vez de alcançar cerca de 30 anos de vida, muitos indivíduos vêm morrendo por volta dos 23. A constatação surgiu a partir de análises conduzidas por pesquisadores da Universidade de St Andrews, na Escócia, com base em dados de monitoramento de longo prazo, necropsias, registros de encalhes e exames químicos.

O principal fator apontado é a interferência humana. Um dos problemas mais graves é o bycatch, quando golfinhos ficam presos acidentalmente em redes de pesca industrial. Mesmo aqueles que conseguem escapar muitas vezes sofrem ferimentos ou morrem dias depois em decorrência do estresse e das lesões.

Outro vilão silencioso são os PCBs (bifenilos policlorados), substâncias tóxicas usadas no passado em lubrificantes e plásticos. Embora banidos há décadas, esses compostos persistem no ambiente marinho e se acumulam na gordura dos golfinhos. Com o tempo, podem provocar infertilidade, danos ao fígado, câncer e falhas no sistema imunológico. Por isso, cientistas descrevem esses animais como verdadeiras “sentinelas do oceano”, já que refletem o nível de contaminação do ecossistema.

Além da poluição e da pesca, o ruído subaquático tem papel importante nesse cenário. O tráfego intenso de navios e o uso de sonares de alta frequência interferem na ecolocalização, essencial para que os golfinhos se comuniquem, se orientem e cacem. A dificuldade em encontrar alimento e manter grupos sociais estáveis gera estresse crônico, um fator que também contribui para a redução da longevidade.

As mudanças climáticas completam o quadro. Alterações na temperatura e nas correntes oceânicas vêm modificando a distribuição de peixes como sardinhas e arenques, principais fontes de alimento desses golfinhos. O resultado é menos comida disponível, justamente em um ambiente já pressionado por poluição e barulho.

Diante disso, governos europeus têm ampliado áreas marinhas protegidas e investido em tecnologias para reduzir a captura acidental, como dispositivos sonoros que afastam os golfinhos das redes. Ainda assim, especialistas da Whale and Dolphin Conservation alertam que o problema é global e exige mudanças mais profundas.

Se os golfinhos estão vivendo menos, é um sinal claro de que os oceanos estão adoecendo. E como a saúde dos mares influencia diretamente o clima, o oxigênio que respiramos e os alimentos que consumimos, esse alerta não diz respeito apenas aos animais — mas a todos nós.

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