Preço do café no Brasil cai em após dois anos de alta

Segundo dados da ABIC, queda de 15,51% no café tradicional traz alívio ao consumidor, mas valores ainda seguem acima dos patamares registrados antes de 2020

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Após dois anos de forte alta, o preço do café tradicional começou a apresentar sinais de queda no Brasil. No mês de abril, o produto registrou recuo de 15,51%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

No mês passado, o quilo do café chegou a R$55,34, valor quase R$10 menor em comparação ao mesmo período do ano anterior. A queda reacende a expectativa de alívio para o consumidor, depois de um período marcado por limitação de matéria-prima e cotações recordes nas bolsas internacionais.

A melhora da safra na virada de 2025 para 2026 aumentou a disponibilidade de grãos para processamento. Com isso, a recomposição dos estoques nos supermercados ajudou a reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias, que enfrentaram um pico de preços entre novembro de 2024 e o primeiro quadrimestre de 2025.

Apesar da queda no café tradicional, nem todas as categorias acompanharam o movimento. Das oito modalidades monitoradas pela ABIC, três ainda tiveram alta no preço ao consumidor. Os cafés especiais subiram 16,9%, os descafeinados avançaram 21% e o café solúvel teve leve aumento de 0,55%.

Os cafés com maior predominância da variedade arábica, especialmente aqueles enquadrados em categorias de produção mais criteriosa e alta pontuação de bebida, seguem com valor agregado maior no mercado.

Mesmo com o recuo recente, o preço do café ainda não voltou aos níveis praticados antes de 2020, quando o Brasil registrou uma safra recorde e o maior volume ajudou a manter valores mais baixos nas gôndolas.

Entre 2024 e 2025, os preços chegaram a acumular alta de 77,78% em 12 meses. Somente em 2025, o avanço foi de 66% para o consumidor. No primeiro trimestre deste ano, a valorização ainda superava 30%, apesar dos sinais de acomodação observados nos meses seguintes.

Segundo o presidente da ABIC, Pavel Cardoso, os reajustes mais fortes começaram a ser sentidos no varejo no fim de 2024. Ele afirma que a escalada teve início em novembro, mas os repasses chegaram de forma mais intensa ao consumidor entre março e abril de 2025.

O aumento dos preços também afetou o consumo. De acordo com Cardoso, houve queda de 5,31% no primeiro quadrimestre de 2025. Já em 2026, no mesmo período, foi registrado crescimento de 2,44%, indicando uma possível recuperação, desde que as projeções de safra se confirmem.

A indústria, no entanto, ainda enfrenta desafios. A maleabilidade do mercado internacional dificultou a recomposição de estoques de café cru e levou empresas a trabalharem com níveis menores de cobertura. Segundo Cardoso, qualquer interrupção na oferta pode obrigar as indústrias a voltarem rapidamente às compras, pressionando novamente os preços.

A expectativa do setor é que, caso as estimativas de safra sejam mantidas, 2026 possa registrar um dos maiores volumes da história recente do café no Brasil, superando inclusive o desempenho de 2020. 

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Redação Paiquerê FM News

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