Prédios que viraram florestas estão transformando as cidades ao redor do mundo

Conhecidas como florestas verticais, construções cobertas por árvores e plantas ajudam a reduzir o calor urbano, melhorar a qualidade do ar, abrigar a biodiversidade e até impactar positivamente a saúde mental de moradores

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Cidades mais quentes, cinzentas e impermeáveis levaram arquitetos e urbanistas a repensar a forma de construir. A resposta veio em forma de folhas, galhos e raízes: prédios que funcionam como verdadeiras florestas. As chamadas florestas verticais estão se espalhando pelo mundo e já mostram que a arquitetura pode ir além do concreto, passando a atuar como um organismo vivo dentro do espaço urbano.

O conceito ganhou força a partir de uma inquietação do arquiteto italiano Stefano Boeri, que questionou o modelo de cidades dominadas por vidro e aço. A ideia se materializou no Bosco Verticale, inaugurado em Milão há cerca de uma década. O conjunto de duas torres residenciais abriga centenas de árvores e milhares de plantas distribuídas nas sacadas, capazes de reduzir a temperatura interna dos edifícios, filtrar a luz solar e melhorar a qualidade do ar.

No Bosco Verticale, a lógica tradicional se inverteu: os prédios são pensados como morada para árvores, pássaros e insetos, que também acolhem seres humanos. O projeto se tornou referência internacional, ganhou prêmios e inspirou iniciativas semelhantes em diversos países.

Desde então, florestas verticais surgiram em cidades como Nanjing, na China; Eindhoven, na Holanda; Montpellier, na França; Denver, nos Estados Unidos; e Cairo, no Egito, onde projetos estão em construção. Ao contrário do que muitos imaginam, esse tipo de arquitetura não se limita a empreendimentos de luxo. Em Eindhoven, por exemplo, a Floresta Vertical Trudo é um projeto de moradia social, com aluguéis acessíveis, mostrando que sustentabilidade também pode caminhar junto com inclusão urbana.

Além dos benefícios ambientais, como absorção de dióxido de carbono, produção de oxigênio e redução do uso de ar-condicionado, estudos indicam impactos positivos na saúde mental. Ambientes com mais áreas verdes estão associados à redução de estresse, ansiedade e depressão, especialmente em regiões mais vulneráveis socialmente.

O conceito também começa a ser aplicado em hospitais. Na Bélgica, o projeto Hospiwood 21 aposta em florestas verticais terapêuticas para auxiliar na recuperação de pacientes. Já na Itália, o novo Hospital Policlínico de Milão contará com um telhado verde de aproximadamente sete mil metros quadrados.

Em Taiwan, o edifício Tao Zhu Yin Yuan chama atenção pelo formato inspirado em uma hélice de DNA e por abrigar mais de 20 mil plantas. O prédio é capaz de absorver cerca de 130 toneladas de CO₂ por ano e reduzir em até 30% o consumo de energia com climatização, utilizando princípios de biomimetismo para ventilação e purificação do ar.

Outro efeito importante das florestas verticais é a diminuição da impermeabilização do solo. Ao crescerem para cima, essas construções liberam espaço no nível da rua, reduzem o risco de enchentes e ajudam a reequilibrar o ciclo da água nas cidades.

A ideia já extrapola edifícios isolados. Projetos como a Cidade da Floresta de Liuzhou, na China, e a Cidade da Floresta Inteligente de Cancún, no México, propõem bairros inteiros integrados à vegetação, com geração própria de energia e restrições a veículos movidos a combustão.

Para Stefano Boeri, as florestas verticais são mais do que soluções arquitetônicas: são manifestações culturais e políticas que defendem a reintegração da natureza ao cotidiano humano. Em um cenário de crise climática e crescimento urbano acelerado, essas construções apontam para um futuro em que as cidades deixam de expulsar o verde e passam a crescer junto com ele.

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