Prefeitura de Londrina busca alternativas para tentar reduzir déficit de R$ 205 milhões
Medidas miram redução de gastos, reequilíbrio fiscal e revisão de viagens em linhas deficitárias do transporte coletivo

O prefeito Tiago Amaral anunciou nesta terça-feira, em entrevista coletiva, que o município de Londrina carrega um déficit de R$205 milhões em 2026. De acordo com ele, o município já carrega uma buraco fiscal herdado da última gestão de quase R$300 milhões, e agora, mesmo alegando ter solucionado primeira defasagem, busca políticas para solucionar o déficit financeiro vivido na cidade.
Foi apresentado o Plano de Contenção e Reequilíbrio Fiscal da Prefeitura de Londrina. O objetivo apresentado juntamente ao secretário da Fazenda, Éder Pires, do secretário de Planejamento, Marcos Rambalducci, e do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Renan Salvador, é reduzir esses gastos e remanejar o orçamento para prevenir dívidas.
O resultado da dívida é um rastro de R$81 milhões em despesas de 2025 e de uma previsão de R$124 milhões referentes a este ano, provenientes da ao IPVA, Fundeb e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).
A origem das dívidas vem de alguns lugares. A prefeitura identificou esse déficit na receita, atingindo recursos da Educação, com transporte coletivo e na taxa de coleta de lixo. Foi registrado uma dívida de R$81 milhões, que permaneceu para este ano.
Agregado a esse valor, Londrina viu uma frustração financeira de R@124 milhões. Essas são relacionadas ao IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e ao Imposto de Renda. Somando o deixado do ano passado, mais a dívida deste ano, o montante total chega a R$205 milhões.
Crise no transporte coletivo
De acordo com o prefeito uma das origens do gastos exacerbados do município é o transporte público. “O subsídio autorizado em dezembro de 2024 daria para mantermos hoje 30 UPAS funcionando em Londrina ou 23 escolas anualmente”, apontou o prefeito Tiago Amaral. “São medidas irresponsáveis que acabam voltando para os cofres do município. Foi um aumento totalmente desproporcional que não deveria ter sido autorizado”.
A lei que o prefeito cita é a lei sancionada em janeiro de 2022, em que constitui um subsídio municipal para custear toda operação, o que, segundo a prefeitura, trouxe um novo e sem limite gasto aos cofres públicos de Londrina.
O crescimento exponencial vem dificultando os recursos públicos. Em 2022, o subsídio foi de R$37 milhões, em 2023, de R$ 66 milhões e, em 2024, foi de quase R$ 83 milhões. Em 2025, chegou a R$ 172 milhões, após um decreto, assinado em 30 de dezembro de 2024, que aumentou a tarifa técnica de R$ 8,33 para R$ 11,84, sem alterar a tarifa para o usuário. Em 2026, a previsão de subsídio é de R$ 177 milhões. O custo total do transporte coletivo previsto para este ano é de R$ 312.896.791,00, dos quais 47% são bancados pelo município.
Medida de diminuição de custos
O sistema de transporte coletivo de Londrina opera atualmente com 146 linhas, atendendo todas as regiões do município, incluindo distritos e áreas rurais. Estudos da administração municipal apontam que 25 dessas linhas geram um déficit de R$ 75 milhões, devido à baixa quantidade de passageiros. Outras 69 linhas não conseguem arrecadar sequer metade do valor necessário para cobrir os custos da operação. Apenas nove linhas apresentam resultado positivo.
Para que o sistema tenha equilíbrio financeiro, cada ônibus precisaria transportar, em média, 2,07 passageiros por quilômetro rodado. Em Londrina, porém, esse índice é de 1,23 passageiro nos dias úteis. Aos sábados, cai para 0,82 e, aos domingos e feriados, chega a 0,43.
Diante desse cenário, a proposta é diminuir o número de viagens nas linhas com menor demanda e reorganizar os intervalos entre os ônibus. Segundo a administração, não haverá extinção de linhas. As gratuidades também serão mantidas, assim como as 31 linhas consideradas de políticas públicas.
O presidente da CMTU, Renan Salvador, afirmou que a intenção é tornar a operação mais eficiente, em conjunto com as concessionárias, reduzindo a quilometragem percorrida por ônibus com baixa ocupação. A medida deve impactar diretamente o valor da tarifa técnica.
Segundo ele, a meta é evitar que ônibus circulem vazios pela cidade. Salvador destacou que há linhas, especialmente aos domingos e feriados, que completam uma volta transportando apenas dois ou três passageiros. Todas as linhas serão analisadas de forma criteriosa, e a expectativa é reduzir significativamente, até o fim do ano, o valor do subsídio repassado ao sistema.
Texto: Rafael Guerra