Restrição da União Europeia completa um mês e alerta exportações do agro paranaense

Bloqueio a produtos de origem animal do Brasil começa em 3 de setembro e preocupa produtores de carne, frango, ovos e mel

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Foto: Reprodução

A menos de um mês do início das restrições impostas pela União Europeia a produtos de origem animal do Brasil, o setor agropecuário ainda busca uma solução para evitar impactos nas exportações. A medida passa a valer em 3 de setembro e deve afetar principalmente carnes, frango, ovos, mel e outros itens vendidos ao mercado europeu.

O bloqueio foi anunciado após o Brasil ser retirado da lista de países considerados aptos a cumprir as exigências europeias sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A decisão não foi tomada a partir da identificação de irregularidades específicas em produtos brasileiros, mas pela avaliação de que os mecanismos de controle apresentados pelo país não foram suficientes para atender às regras do bloco.

Paraná

No Paraná, a medida preocupa diretamente o setor produtivo. O estado tem forte participação nas exportações brasileiras de proteína animal e responde por mais de um quarto das vendas externas do país nesse segmento, segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Para representantes do agronegócio, a decisão europeia tem efeito direto sobre a competitividade dos produtores brasileiros. O diretor da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, avalia que a restrição funciona como uma barreira de proteção ao mercado europeu e pode prejudicar cadeias produtivas importantes no estado.

Dados do Comex Stat mostram que as exportações paranaenses de carne de aves mais que dobraram nos últimos cinco anos, chegando a US$ 3,5 bilhões em 2025. A carne bovina também registrou avanço expressivo. Em maio deste ano, o Paraná exportou US$ 21 milhões do produto, valor muito superior ao registrado mensalmente três anos antes.

Impacto para produtores e frigoríficos

Mesmo representando uma fatia menor das exportações brasileiras quando comparada a destinos como China e Oriente Médio, a União Europeia é considerada um mercado estratégico. Isso ocorre porque o bloco costuma comprar produtos com maior valor agregado, o que melhora a rentabilidade de produtores, cooperativas e frigoríficos.

Com a perda temporária desse destino, o setor teme dificuldade para redirecionar a produção. A cadeia de aves, suínos e bovinos depende de planejamento antecipado, e a oferta não pode ser reduzida rapidamente. Por isso, produtos que deixarem de ser enviados à Europa podem aumentar a disponibilidade no mercado interno.

Essa maior oferta pode provocar queda inicial nos preços ao consumidor, mas também tende a reduzir margens dos produtores. O setor avalia que, em um cenário de excesso de produto no mercado nacional, grandes empresas podem ganhar mais força na definição dos preços.

Outra saída seria ampliar as vendas para novos países, mas esse processo depende de negociações internacionais, acordos sanitários e aprovação de protocolos técnicos. Na prática, a abertura de novos mercados costuma levar tempo e dificilmente resolveria o problema antes de setembro.

Além disso, a adequação às regras europeias pode exigir um prazo maior do que o disponível. No caso da pecuária bovina, por exemplo, o ciclo produtivo faz com que a adoção de novos protocolos só gere efeitos completos depois de cerca de dois anos.

Tentativa de reversão

A Sociedade Rural do Paraná afirma que já iniciou articulações com o governo federal e com o Ministério da Agricultura para tentar evitar a entrada em vigor da restrição. A entidade defende que a questão seja tratada tecnicamente, antes que os prejuízos atinjam de forma mais ampla produtores e exportadores.

A Comissão Europeia informou que o retorno do Brasil à lista de países habilitados dependerá da adoção de novas medidas legais e de controle, além do respeito aos ciclos produtivos de cada cadeia agropecuária.

O Ministério da Agricultura também reconheceu que, caso o país não apresente as garantias exigidas, as exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia ficarão suspensas a partir de 3 de setembro.

Enquanto o prazo se aproxima, o setor produtivo cobra uma resposta rápida para evitar perda de mercado, queda de rentabilidade e impactos sobre a competitividade do agronegócio paranaense e brasileiro.

Texto: Rafael Guerra

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Redação Paiquerê FM News

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