Santa Casa e Hospital do Câncer se manifestam sobre investigação de suposto desvio de R$ 37 milhões em Londrina
Instituições se pronunciaram após operação do Gaeco apurar suspeita de irregularidades no repasse de recursos provenientes da venda de títulos de capitalização filantrópicos.

A Santa Casa e o Hospital do Câncer de Londrina se manifestaram na segunda-feira (26) sobre a Operação Samaritano, que investiga um suposto desvio de aproximadamente R$ 37 milhões que deveriam beneficiar as duas instituições entre 2020 e 2022, período da pandemia de Covid-19.
Em nota, o Hospital do Câncer informou que acompanha as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A instituição afirmou que os recursos recebidos por meio da parceria investigada foram destinados à assistência aos pacientes.
O hospital também ressaltou o compromisso com a transparência e a aplicação responsável dos recursos, além de declarar que está à disposição das autoridades para fornecer esclarecimentos necessários.
A Santa Casa de Londrina, por sua vez, informou que é considerada vítima no caso, conforme o entendimento do Ministério Público, e que não será investigada. A superintendência da Irmandade da Santa Casa de Londrina (ISCAL) também informou que prepararia um posicionamento oficial, ainda não encaminhado até o fechamento da reportagem.
A Operação Samaritano apura suspeitas de desvio de recursos de entidades assistenciais e lavagem de dinheiro. Segundo o Gaeco, um grupo empresarial com sede em Londrina teria comercializado títulos de capitalização da modalidade filantrópica e se apropriado de valores que deveriam ser repassados aos hospitais.
Durante a operação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresa e aos investigados. Entre os itens encontrados estão grandes quantias em dinheiro guardadas em um armário e veículos de luxo na garagem da residência de um dos suspeitos.
De acordo com o promotor Leandro Antunes, os investigadores identificaram que os recursos chegaram às contas dos hospitais, mas teriam sido retirados em seguida e retornado ao grupo empresarial. Com a análise de documentos e dados digitais apreendidos, o Ministério Público busca rastrear o destino dos valores e esclarecer as possíveis irregularidades.
As investigações continuam para apurar as responsabilidades e reunir provas sobre o suposto esquema. Até o momento, as suspeitas investigadas não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.