Servidor do sistema penitenciário é condenado a quase 33 anos por fraudes em benefícios a presos em Londrina
Funcionário do Deppen adulterava sistemas judiciais em troca de propina e perdeu o cargo público

Um servidor público do Departamento de Polícia Penal do Paraná (Deppen-PR) foi condenado a 32 anos, 11 meses e 15 dias de prisão por fraudar a concessão de benefícios a detentos em Londrina. A decisão também determinou a perda do cargo público. Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o réu atuava como técnico administrativo no sistema penitenciário, com passagens pela Vara de Execuções Penais e pelo Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon). O nome do condenado não foi divulgado e ainda cabe recurso da sentença.
De acordo com a acusação, o servidor utilizava acessos a sistemas oficiais — como o Processo Eletrônico Judiciário (Projudi), o Sistema Eletrônico de Execução Unificado (Seeu) e o sistema de monitoramento eletrônico SAC-24 — para inserir dados falsos e favorecer presos. Entre as práticas apontadas estão a ampliação indevida de áreas de circulação de tornozeleiras, aceleração de pedidos de soltura e fraudes em atestados de comparecimento, tudo em troca de propina.
O servidor foi condenado pelos crimes de corrupção passiva majorada, inserção de dados falsos em sistema de informações e falsidade ideológica de documento público. Além dele, outros dez denunciados — incluindo advogados que intermediavam o repasse de vantagens financeiras — foram condenados por corrupção ativa, com penas entre cinco e 16 anos. O caso é um desdobramento da Operação Antártida, e os envolvidos ainda respondem a outro processo por lavagem de dinheiro, que segue em apuração pelo Ministério Público.

