Título Passagem secreta: móvel do século 19 revelado como rota de fuga para escravos em Nova York
Historiadores do Museu da Casa do Comerciante, em Manhattan, descobriram um túnel secreto oculto dentro de uma cômoda geminada do século 19. A passagem, acessada por uma gaveta falsa e com cerca de 4,5 metros de profundidade, servia como refúgio e rota de fuga para pessoas escravizadas. A estrutura fazia parte da Ferrovia Subterrânea, uma rede clandestina que auxiliava fugitivos a alcançarem a liberdade nos Estados Unidos antes da abolição

A história da luta pela liberdade nos Estados Unidos ganhou um novo capítulo físico e emocionante no coração de Nova York. Especialistas do Museu da Casa do Comerciante (Merchant’s House Museum) identificaram, em meados de fevereiro, uma sofisticada passagem secreta camuflada em um móvel de época. O que parecia ser apenas uma cômoda comum do século 19 escondia, atrás de uma de suas gavetas, o acesso a um túnel estreito de 4,5 metros de profundidade. Segundo os pesquisadores, essa estrutura era utilizada para ocultar e transportar pessoas escravizadas que buscavam o Norte do país ou o Canadá.
Essa rede de rotas e esconderijos era conhecida como Ferrovia Subterrânea (Underground Railroad). Longe de ser um trem real, tratava-se de um sistema secreto operado por abolicionistas — tanto negros livres quanto brancos simpatizantes — que utilizavam suas próprias residências e comércios para abrigar fugitivos. A descoberta em Manhattan reforça a tese de que casas de famílias abastadas na região metropolitana desempenharam papéis cruciais na resistência contra a escravidão, oferecendo refúgio em compartimentos tão discretos que permaneceram intocados por quase dois séculos.
A revelação do túnel estreito e profundo destaca os riscos extremos e a engenhosidade daqueles que operavam a rede. Diferente das “comodidades” modernas que valorizamos hoje em imóveis de luxo, como varandas ou elevadores, a exclusividade dessas casas históricas residia na capacidade de salvar vidas através do anonimato arquitetônico. O achado agora integra o acervo de evidências sobre a abolição em Nova York, transformando o mobiliário doméstico em um poderoso testemunho silencioso da coragem de quem buscava a liberdade e daqueles que arriscavam tudo para auxiliá-los.

