UEL discute liberação de plantio de Cannabis para pesquisa no câmpus
Mudança regulatória abre caminho para estudos científicos com a planta em universidades, centros de pesquisa e instituições autorizadas

A Universidade Estadual de Londrina voltou a discutir a possibilidade de avançar em pesquisas envolvendo plantas do gênero Cannabis, após mudanças regulatórias aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O tema já havia sido anunciado pela instituição há cerca de três anos, quando foram iniciadas tratativas para a criação de um centro de estudos em parceria com a Southern Illinois University, de Carbondale, nos Estados Unidos.
Na época, a proposta encontrou obstáculos legais, já que o cultivo da planta para esse tipo de finalidade ainda enfrentava restrições no Brasil. A nova regulamentação muda esse cenário e abre caminho para que universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e fabricantes de medicamentos possam desenvolver estudos, desde que cumpram protocolos rígidos de segurança.
As regras incluem controle sobre sementes, rastreamento da produção, videomonitoramento e acesso restrito às áreas de plantio. Na UEL, a mudança é vista como uma oportunidade para organizar uma frente científica sobre o tema, envolvendo pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.
Um dos defensores da ampliação dos estudos é o professor Claudemir Zucarelli, doutor em Agronomia e coordenador do Escritório de Apoio ao Pesquisador da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. A expectativa é que a universidade possa contribuir com pesquisas sobre o potencial medicinal, agrícola, industrial e social da planta.
Além da área científica, o debate também envolve ações de extensão. O programa Práxis Itinerante, coordenado pelo professor Fábio Lanza, atua na aproximação entre universidade, sistema jurídico e sociedade civil. Entre os temas discutidos estão os usos medicinais da cannabis, especialmente em tratamentos com óleo da planta, utilizado por pacientes com epilepsia refratária, dores crônicas e outras condições de saúde.
Outro ponto abordado é o potencial do cânhamo na indústria têxtil. A fibra natural pode ser alternativa em processos produtivos com menor dependência de materiais derivados do petróleo, ampliando o debate sobre sustentabilidade e inovação.
O programa também discute aspectos sociais e jurídicos relacionados à cannabis, como regulação, descriminalização, desigualdades sociais e impactos da política de drogas sobre a população mais vulnerável.
Com a nova regulamentação, pesquisadores avaliam que o Brasil pode ampliar sua participação em uma área já explorada por universidades e centros científicos de outros países. A expectativa é que os próximos passos dependam da adequação das instituições às exigências legais e da estruturação de projetos de pesquisa autorizados.
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