Universidade Estadual de Maringá começa a fazer exames de pré-transplante no Paraná
Foto: UEM

O Laboratório de Imunogenética (LIG) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) começou nesta semana a fazer os testes de histocompatibilidade para transplantes de órgãos sólidos de doadores falecidos, também conhecidos como exames de pré-transplante. Com a implantação do serviço, o LIG, que está localizado no câmpus-sede, virou o terceiro local do Paraná com essa possibilidade, além de Curitiba e Londrina. Os exames de Painel de Reatividade de Anticorpos (PRA) e Prova Cruzada (CrossMatch), fundamentais para transplante de órgãos de doadores falecidos, eram realizados exclusivamente no Laboratório de Imunogenética do Hospital Universitário Cajuru, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), em Curitiba, e no Laboratório de Histocompatibilidade, do Hospital Universitário Regional de Londrina, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para a abertura do serviço, o LIG teve que se preparar estruturalmente com a compra de equipamento e kits para exames. Até o momento, já foram investidos cerca de R$ 700 mil, e está em andamento mais um pedido de compras de cerca de R$ 500 mil em kits para tipagem HLA e para detecção de anticorpos anti-HLA. A equipe do LIG é composta de cinco professores, envolvidos com a prestação de serviços, uma técnica de nível superior, três técnicos de nível médio e uma agente administrativa. Está em andamento a contratação de pessoal para conseguir cobrir o plantão de sobreaviso 24h/dia nos 365 dias do ano, conforme exigência da Central Estadual de Transplante (CET-PR).

Atualmente está em implantação o projeto de transição dos exames de Londrina para Maringá. Inicialmente, será feita a tipagem de antígenos leucocitários humanos (HLA) de doadores falecidos de órgãos, como rim, fígado, coração, entre outros. No segundo semestre, serão introduzidos os exames de monitoramento dos pacientes na lista de espera para transplantes renais e cardíacos, e, na sequência, os exames da prova cruzada, que é cruzar as células do doador com o sangue dessas pessoas que estão na lista de espera para saber quem pode receber. O laboratório também realiza exames para o cadastramento de doadores voluntários de medula óssea dos Hemocentros de Maringá, Cianorte, Paranavaí, bem como exames de pacientes do Hospital do Câncer de Maringá e seus familiares. A partir do atendimento para transplante de órgãos, passará a atender 23 hospitais, distribuídos nas cidades de Campo Mourão, Cianorte, Colorado, Goioerê, Maringá, Paranavaí, Sarandi e Umuarama. As amostras são encaminhadas pela CET-PR por meio da Organização de Procura de Órgãos (OPO – Maringá).

As vantagens do novo serviço alcançam pacientes transplantados, familiares de doadores falecidos, equipes transplantadoras e a equipe da OPO de Maringá. Uma vez identificada a morte encefálica de um potencial doador, o ideal é que imediatamente seja aberto protocolo para diagnóstico e, na sequência, seja coletado e enviado o material ao laboratório de referência para os exames pré-transplante necessários. A demora neste processo pode acarretar, inicialmente, a desistência da doação por parte da família do doador, além de ter consequências também para o receptor, uma vez que podem aumentar as chances de rejeição e perda do órgão transplantado. O transporte da amostra para realização dos exames em outro município, além de representar um alto custo (motorista, combustível, manutenção do veículo), também compromete a viabilidade da amostra, aumentando a chance de problemas técnicos, uma vez que os exames só serão realizados quando a amostra chegar ao laboratório de análise.

LIDERANÇA – O Paraná está na liderança nacional em doações de órgãos, registrando no ano passado 42,5 doadores por milhão de população (pmp). Em números absolutos são 486 doadores efetivos. Os dados são do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), elaborado e divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) nesta semana. A média do Brasil foi 19,9 pmp. O RBT ainda apontou que o Paraná possui a menor taxa de recusa familiar para doação do Brasil. O Estado registrou 27% de recusa durante as entrevistas familiares, enquanto a média nacional foi de 42% no ano. A Central Estadual de Transplantes fica em Curitiba e é responsável pela coordenação das atividades de doação e transplantes em todo Estado. Além disso, conta com quatro Organizações de Procura de Órgãos, na Capital, Londrina, Maringá e Cascavel. Estas unidades trabalham na orientação e capacitação das equipes distribuídas em 67 hospitais do Paraná, que mantêm Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). Com informações da AEN.