Alguns cérebros humanos podem permanecer preservados por milhares de anos; entenda o motivo.

Embora o cérebro esteja entre os primeiros órgãos a se decompor após a morte, arqueólogos já encontraram mais de 4.400 cérebros humanos preservados em sítios de até 12 mil anos. Um novo estudo aponta que ambientes inundados e com pouco oxigênio podem desencadear reações químicas capazes de tornar determinadas proteínas mais resistentes à decomposição.

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Reprodução / Foto: banco de imagens

O cérebro humano normalmente se deteriora rapidamente após a morte, mas descobertas arqueológicas mostram que, em condições específicas, o órgão pode permanecer preservado por milhares de anos. Mais de 4.400 cérebros já foram recuperados em diferentes sítios arqueológicos, alguns deles com até 12 mil anos.

Pesquisadores liderados por cientistas da Universidade de Oxford investigaram o que permite essa conservação excepcional. Cerca de um terço dos cérebros preservados foi encontrado em sepultamentos inundados e com pouco oxigênio, onde, em alguns casos, o cérebro era o único tecido mole restante junto aos ossos.

O estudo indica que a disponibilidade de oxigênio tem papel fundamental. Em ambientes secos ou com circulação de ar, as proteínas cerebrais sofrem fragmentação e desaparecem progressivamente. Já em solos encharcados e pobres em oxigênio, determinadas reações químicas podem criar ligações entre moléculas e formar estruturas mais rígidas e resistentes.

Essa transformação dificulta a ação de enzimas e microrganismos responsáveis pela decomposição. Os pesquisadores também identificaram fragmentos de proteínas especialmente resistentes, chamados de peptídeos recalcitrantes, que apresentam características capazes de favorecer sua preservação por períodos extremamente longos.

Outro ponto chamou a atenção dos cientistas: alguns dos processos moleculares envolvidos nessa preservação apresentam semelhanças com mecanismos observados no envelhecimento cerebral e em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

A descoberta ajuda a explicar como determinadas características naturais do cérebro, combinadas a ambientes inundados e com pouco oxigênio, podem transformar parte do processo de decomposição em um mecanismo capaz de conservar o tecido cerebral durante séculos ou até milênios.

Com informações da CNN BRASIL.

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