Aos 69 anos, estudante cego de Direito da UEL transforma desafios em inspiração

Após perder a visão, José Marcelino encontrou na universidade uma nova motivação e segue em busca do sonho de continuar estudando.

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Foto: André Ridão / COMUEL

Aos 69 anos, José Marcelino, estudante do quinto ano de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), carrega uma trajetória marcada por dificuldades, superação e aprendizado. Natural de Diamantina (MG), ele perdeu a visão aos 56 anos, mas encontrou nos estudos uma forma de reconstruir a própria história.

Ainda criança, José veio com a família para o Norte do Paraná e enfrentou uma rotina de trabalho pesado na zona rural. Ele ajudava no cultivo de arroz, feijão, café e milho e chegou a viver em condições de exploração, sem receber salário pelo trabalho realizado. Mesmo assim, os pais, que eram analfabetos, fizeram questão de mantê-lo na escola.

Depois de trabalhar como encanador industrial em várias cidades do país, inclusive em plataformas da Petrobras, José passou por uma grande mudança após um problema de saúde. Um medicamento utilizado para tratar dores provocou danos irreversíveis à visão. A adaptação veio com o apoio do Instituto Roberto Miranda, onde aprendeu Braille e novas formas de lidar com a deficiência.

O retorno aos estudos trouxe uma nova perspectiva. Após concluir a educação básica, ingressou no curso de Direito e chegou à UEL em 2022. Na universidade, encontrou suporte do Núcleo de Acessibilidade (NAC), professores e colegas, que ajudaram na adaptação com tecnologias, materiais acessíveis e acompanhamento durante as atividades acadêmicas.

A escolha pelo Direito foi motivada pelas injustiças que enfrentou ao longo da vida, desde a infância no campo até as dificuldades após perder a visão. Para José, o conhecimento representa uma ferramenta de transformação e também uma oportunidade de compartilhar experiências com outras pessoas.

Além das conquistas acadêmicas, o estudante criou fortes laços de amizade com colegas de turma, que destacam sua determinação e sua capacidade de inspirar quem está ao redor. O próximo objetivo de José é continuar os estudos com uma pós-graduação na própria UEL.

A história de José Marcelino também se conecta com a de João Durval Piaie, primeiro estudante com deficiência visual a ingressar no curso de Direito da UEL, em 1989. As trajetórias reforçam a importância da inclusão e dos recursos de acessibilidade para garantir que mais pessoas possam alcançar seus objetivos dentro da universidade.

Com informações de O Perobal/UEL

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Redação Paiquerê FM News

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