Após uma semana Tamarana segue com mil pessoas afetadas e 40 desabrigadas depois de vendaval; população pede ajuda
Temporal de 21 de setembro provocou danos em residências e interrompeu o fornecimento de água e energia; moradores e entidades religiosas se mobilizam para arrecadar alimentos e produtos de higiene

A Prefeitura de Tamarana e a Defesa Civil municipal, em conjunto com a Defesa Civil do Paraná, realizaram um levantamento preliminar dos estragos provocados pelo vendaval que atingiu o município na noite de 21 de setembro. A estimativa é de que cerca de mil pessoas tenham sido afetadas de alguma forma, seja por destelhamentos totais ou parciais, seja pela interrupção do fornecimento de água e energia elétrica.
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, as localidades mais atingidas foram a Ocupação Bom Pastor, o Parque Industrial, o Parque Jardim Juny e a Vila Rural II.
O levantamento aponta que 40 pessoas perderam seus pertences, incluindo colchões, móveis, eletrodomésticos e roupas. Além disso, 15 imóveis foram completamente destruídos.
As ações de recuperação das vias de Tamarana começaram no dia seguinte à tempestade e continuam em andamento. Segundo relatos de moradores, trabalhadores das secretarias de Obras e de Agricultura chegaram a solicitar serras elétricas emprestadas para retirar árvores que caíram sobre as vias públicas e as residências.
O vendaval também comprometeu o fornecimento de água e energia elétrica. Parte dos moradores da Vila Rural II permaneceu cinco dias sem os serviços, cuja normalização, segundo relatos, ocorreu na sexta-feira (25).
Pedido de ajuda
Diante dos danos provocados pelo vendaval, moradores e entidades religiosas organizaram uma campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis e produtos de higiene para atender às famílias afetadas.
A mobilização conta com o apoio da comunidade e tem como ponto de coleta o salão paroquial, localizado na Rua Evaristo Camargo, 143. O espaço está aberto desde às 8h desta segunda-feira (28) para receber as doações.
De acordo com os organizadores, a prioridade é a arrecadação de alimentos não perecíveis e produtos de higiene. As roupas, neste momento, não são consideradas itens de necessidade emergencial.
Uma das colaboradoras da campanha, que preferiu não se identificar, relatou a situação enfrentada pelas famílias durante a mobilização. “Eu cheguei lá para ajudar e pensaram que estava levando comida”, contou.
Ao descrever a situação, ela também relatou a abordagem de uma criança que perguntou: “Vocês estão trazendo comida?”.
A campanha busca atender às necessidades mais urgentes da população, por meio da mobilização de moradores e entidades religiosas.
Ponto de coleta em Londrina
A organização afirma que quem está em Londrina e não consegue se deslocar para Tamarana a Cáritas diocesana, centro de pastoral jesus bom pastor, está realizando a coleta no endereço R. Dom Bosco, 145 – Londrina.
À céu aberto

Casa foi destelhada e família desabrigada
Foto: divulgação população
Os ventos, que chegaram a quase 125 km/h no Paraná, provocaram danos em diversas residências no estado. Em Tamarana, estima-se que 40 casas ainda estejam destelhadas, deixando cômodos expostos às condições climáticas.
Em resposta à situação, a Defesa Civil, em parceria com a Prefeitura de Tamarana, disponibilizou 1.500 telhas de fibrocimento para o atendimento emergencial das famílias atingidas.
Devido à continuidade das chuvas, a distribuição das telhas começou na quarta-feira (23), dois dias após o vendaval. A entrega prioriza as residências que sofreram destelhamentos parciais ou totais.
Ações públicas
De acordo com Ricardo Maia, coordenador da Defesa Civil de Tamarana, a administração municipal trabalha para formalizar um decreto de emergência, com o objetivo de viabilizar o acesso a recursos estaduais para a recuperação dos danos.
Segundo o coordenador, a Prefeitura mobilizou suas equipes desde o início da ocorrência para prestar assistência à população. No entanto, a solicitação de recursos estaduais depende de procedimentos burocráticos, que incluem o registro, a apuração e a catalogação dos prejuízos provocados pelo vendaval.
A expectativa, segundo Maia, é concluir os trâmites necessários para a publicação do decreto em menos de dois dias. Entretanto, a medida não garante a liberação imediata dos recursos.
O coordenador também ressaltou que a Prefeitura já havia viabilizado a disponibilização de 1.500 telhas para o atendimento emergencial, antes mesmo da formalização do decreto.

Telhas são distribuídas para atender situação de emergência
Foto: Divulgação população
Prefeitura de Tamarana divulga nota oficial
A Prefeitura informou ainda que as equipes municipais atuaram na remoção de estruturas comprometidas e árvores caídas em bairros e localidades rurais. Na zona rural, a Secretaria de Agricultura acompanha prejuízos em estufas, barracões, granjas e leiterias, incluindo perdas na estrutura produtiva e mortalidade parcial de aves.
Na área da saúde, quatro unidades municipais registraram danos estruturais. As UBS Edson Siena e Iracema Decol tiveram os atendimentos temporariamente suspensos para a realização de reparos. A Vigilância Sanitária e a UBS Plínio Pereira de Araújo também apresentaram avarias, com providências em andamento.
A prefeita Luzia Harue Suzukawa acompanhou as vistorias na Ocupação Bom Pastor e conversou com moradores afetados. Segundo a administração municipal, o trabalho de monitoramento e recuperação continua nas áreas atingidas.
Texto: Rafael Guerra