Área de trigo encolhe 35% no Paraná, mas produtividade mantém volume da produção
Estudo da Sociedade Rural do Paraná aponta que ganhos tecnológicos compensam a redução das lavouras, enquanto baixa rentabilidade leva produtores a buscar alternativas para o cultivo de inverno.

O Paraná deve reduzir em 35% a área destinada ao cultivo de trigo em apenas dois anos, passando de 1,1 milhão para 722 mil hectares. Mesmo assim, a produção estimada para a safra 2025/26 permanece próxima à registrada anteriormente, graças ao aumento da produtividade nas lavouras, segundo levantamento do Observatório de Indicadores da Sociedade Rural do Paraná (SRP).
De acordo com o estudo, a produtividade atingiu níveis recordes nas últimas safras, refletindo o investimento dos produtores em tecnologia e manejo. Para especialistas da SRP, o cenário mostra uma mudança no perfil da agricultura de inverno, em que a decisão de plantar trigo depende cada vez mais da rentabilidade da cultura.
Apesar dos bons resultados no campo, o retorno financeiro preocupa. O preço pago ao produtor caiu em relação ao ano passado e, em regiões como Londrina e Cascavel, a atividade apresenta margens negativas, tornando o cultivo menos atrativo.
O boletim também mostra que a participação do Paraná na produção nacional de trigo diminuiu ao longo das últimas décadas. Em contrapartida, novas culturas de inverno, como a canola, vêm ganhando espaço, impulsionadas pela demanda da indústria e pela busca por maior rentabilidade.
Mesmo com esses desafios, o trigo continua sendo uma das principais culturas agrícolas do estado e movimenta bilhões de reais na economia paranaense. A avaliação da SRP é de que o futuro da atividade dependerá menos da capacidade de produzir e mais da criação de condições econômicas que garantam maior retorno ao produtor.
Com informações da Sociedade Rural do Paraná
