Até que altura e profundidade o ser humano consegue respirar? A ciência responde
Dos picos mais altos da Terra às profundezas do oceano, o corpo humano enfrenta limites surpreendentes

Respirar parece algo simples, mas quando o ser humano tenta alcançar altitudes extremas ou grandes profundidades, o próprio corpo passa a enfrentar desafios que podem ser fatais.
Até onde é possível subir?
Em grandes altitudes, o principal problema não é a falta de ar, mas a diminuição da pressão atmosférica. Quanto mais alto se sobe, menos oxigênio chega ao sangue.
O limite prático para permanência prolongada de seres humanos está em torno dos 8 mil metros de altitude, região conhecida como “zona da morte”. É nessa faixa que se encontra o topo do Monte Everest, com 8.849 metros.
Nessa altitude, o organismo já não consegue se adaptar adequadamente. O cérebro recebe menos oxigênio, aumentando os riscos de perda de capacidade cognitiva, edema pulmonar e edema cerebral.
Embora alguns montanhistas consigam alcançar o Everest sem oxigênio suplementar, isso ocorre apenas após um longo processo de aclimatação e por períodos muito curtos.
Teoricamente, o limite absoluto para sobrevivência sem equipamentos fica entre 18.900 e 19.350 metros, região conhecida como Limite de Armstrong. Acima dessa faixa, a pressão é tão baixa que líquidos corporais poderiam começar a entrar em ebulição.
E até onde é possível descer?
Debaixo d’água, a situação é inversa. A pressão aumenta rapidamente conforme a profundidade.
Mergulhadores recreativos costumam atingir cerca de 40 metros de profundidade. Já profissionais podem trabalhar entre 200 e 300 metros utilizando equipamentos e misturas especiais de gases.
O recorde amplamente reconhecido de mergulho livre pertence ao belga Patrick Musimu, que alcançou impressionantes 209,6 metros de profundidade em 2005 apenas utilizando a capacidade dos próprios pulmões.
Nessas condições extremas, surgem riscos como a doença descompressiva, provocada pelo retorno rápido à superfície, além de efeitos causados pela alta pressão sobre os gases respirados.
Respirar abaixo do nível do mar
Curiosamente, respirar em locais abaixo do nível do mar, como minas e cavernas profundas, não é necessariamente mais difícil. Pelo contrário: existe mais oxigênio disponível por volume de ar devido ao aumento da pressão.
O problema é que essa pressão extra altera o comportamento dos gases no organismo. O oxigênio pode se tornar tóxico em concentrações elevadas, enquanto o nitrogênio pode provocar sintomas semelhantes aos de uma anestesia, incluindo euforia, lentidão mental e perda de consciência.
Um exemplo extremo é a Mponeng Gold Mine, localizada na África do Sul. Com cerca de 4 quilômetros de profundidade, ela é considerada uma das minas habitadas mais profundas do mundo. Lá, o principal desafio não é a falta de ar, mas o calor intenso das rochas, que pode ultrapassar 60°C.
A conclusão é simples: o ser humano consegue respirar em ambientes muito diferentes, mas tanto as grandes altitudes quanto as profundidades extremas exigem adaptações e apresentam limites que o corpo sozinho dificilmente consegue superar por muito tempo.
