Boca Aberta é condenado a mais de 16 anos de prisão
Ex-vereador e ex-deputado federal foi condenado por desacato, injúria e calúnia após conflitos com vereador e integrantes da Câmara de Londrina; defesa considera pena desproporcional e anuncia recurso

O ex-vereador e ex-deputado federal Emerson Miguel Pietriv, conhecido como Boca Aberta, foi condenado pela Justiça a 16 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, em regime aberto, por crimes de desacato, injúria e calúnia cometidos contra agentes públicos. A decisão envolve episódios ocorridos em maio de 2025, durante uma série de conflitos com o vereador Claudinei Pereira dos Santos, o Santão (PL).
A esposa de Boca Aberta, Marly de Fátima Ribeiro, a Mara Boca Aberta, também foi condenada. A pena estabelecida para ela é de seis meses de prisão. Os dois são candidatos pelo Republicanos nas eleições deste ano. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.
A condenação foi proferida pela 3ª Vara Criminal de Londrina e considera crimes cometidos contra Santão, uma assessora parlamentar e o procurador-geral da Câmara Municipal de Londrina (CML), Miguel Angelo Aranega Garcia.
Segundo a sentença, Boca Aberta teria abordado Garcia no estacionamento da Câmara e proferido ofensas contra o procurador, chamando-o de “bandido” e “vagabundo”. Ainda conforme a decisão, ele teria feito uma ameaça ao dizer que “a hora” do procurador chegaria.
Na sequência, o ex-parlamentar se envolveu em uma discussão com Santão na entrada da Câmara. Durante o bate-boca, teria chamado o vereador de “vereador de bosta”. Santão, que também é policial rodoviário, deu voz de prisão a Boca Aberta.
O conflito prosseguiu posteriormente em uma agência da Caixa Econômica Federal. De acordo com o processo, as ofensas continuaram no local. Boca Aberta, por sua vez, afirmou que sua esposa havia sido agredida pelo vereador. A ocorrência acabou sendo encaminhada à Central de Flagrantes da Polícia Civil.
A decisão do juiz Juliano Nanuncio também levou em consideração publicações feitas por Boca Aberta nas redes sociais. Conforme a sentença, entre 16 de maio e 2 de junho de 2025, foram identificadas 24 postagens no Facebook e no Instagram com ataques direcionados a Santão.
Nas publicações, o vereador teria sido chamado de termos como “drogado”, “vagabundo”, “covarde”, “ditador”, “policial fake” e “agressor de mulher”.
Para o magistrado, além das ofensas, Boca Aberta atribuiu falsamente a Santão a prática de uma série de crimes. Entre eles estão apropriação indébita eleitoral, dano qualificado, usurpação de função pública, peculato, corrupção passiva, lesão corporal e constrangimento ilegal.
O advogado Benedito Silva Júnior, que representa Boca Aberta e Mara Boca Aberta, classificou a sentença como desproporcional e afirmou que a defesa irá recorrer.
Segundo o advogado, a pena aplicada a Boca Aberta supera, inclusive, o limite máximo previsto em abstrato para o crime de tráfico de drogas em sua forma simples, cuja pena pode chegar a 15 anos.
A defesa sustenta ainda que as manifestações do ex-parlamentar ocorreram dentro de um contexto de disputa política e estariam protegidas pela liberdade de expressão.
Para Silva Júnior, a decisão representa uma restrição ao debate político. O advogado argumenta que a criminalização de declarações e publicações feitas durante uma disputa eleitoral ou política não deveria resultar em uma punição dessa magnitude.
Outro ponto levantado pela defesa diz respeito ao episódio ocorrido na agência da Caixa. O advogado afirma que Santão já foi condenado, em decisões definitivas, a pagar R$20 mil de indenização a Mara Boca Aberta e R$10 mil ao Boca Aberta em razão de agressões ocorridas no local.
Ainda segundo Silva Júnior, Santão responde criminalmente por suspeitas de abuso de autoridade e lesão corporal contra Mara Boca Aberta.
A defesa também pretende contestar a maneira como a Justiça calculou a pena. Segundo o advogado, condutas praticadas dentro de um mesmo contexto poderiam ter sido enquadradas como continuidade delitiva, em vez de terem as penas somadas individualmente.
“Vamos recorrer até o fim em favor de Emerson e de Marly, e não vamos medir esforços nem recursos para reverter essa decisão”, afirmou o defensor.
