Mendonça retira sigilo de relatório da PF com mensagens de Vorcaro para Moraes
Decisão do ministro do STF torna públicos elementos da investigação que envolvem contatos do banqueiro com Alexandre de Moraes antes da prisão em novembro de 2025

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (1º) o fim do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. O material integra as investigações relacionadas ao Banco Master.
Os registros foram extraídos do celular de Vorcaro, apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. As mensagens analisadas pelos investigadores abrangem o período entre 4 e 17 de novembro de 2025, pouco antes da primeira prisão do banqueiro.
De acordo com o relatório, Vorcaro teria procurado Moraes para questionar o andamento das investigações e possíveis medidas que poderiam ser adotadas pela Polícia Federal. Em algumas mensagens, o empresário também demonstrava preocupação com a possibilidade de ser preso.
Em 15 de novembro, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou se deveria deixar o Brasil. No dia seguinte, voltou a questionar o ministro sobre a possibilidade de uma ação ocorrer na manhã seguinte. Segundo a PF, o conteúdo levantou a hipótese de que o banqueiro teria recebido informações antecipadas sobre procedimentos da investigação.
O relatório também registra pedidos relacionados à atuação de autoridades responsáveis pelas investigações. Em uma das mensagens, Vorcaro perguntou se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, poderia adiar medidas que estariam prestes a ser cumpridas.
O banqueiro chegou a pedir que Moraes tentasse evitar uma ação que, segundo ele, poderia provocar consequências graves para o Banco Master. Em outra conversa, questionou se seria possível interromper ou bloquear medidas investigativas.
Um dos aspectos que dificultaram a reconstrução da comunicação é o formato utilizado nas mensagens. Segundo a investigação, Vorcaro escrevia os textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e as encaminhava pelo WhatsApp com visualização única.
Com isso, os investigadores tiveram acesso às mensagens enviadas pelo banqueiro, mas não recuperaram, a partir desse material, as eventuais respostas dadas por Moraes.
Na decisão, Mendonça afirmou que os novos elementos precisam ser analisados pelo plenário do Supremo. O ministro defendeu que essa avaliação ocorra de forma pública e transparente, diante da relevância dos fatos apresentados pela Polícia Federal.
A análise do aparelho também apontou, segundo Mendonça, indícios de que Vorcaro possuía conhecimento antecipado sobre procedimentos de investigação e apurações envolvendo o Banco Central.
O caso passou a ganhar novos contornos com a divulgação das mensagens, que levantam questionamentos sobre a relação entre o banqueiro e o ministro. A existência das mensagens, contudo, não significa, por si só, que tenha ocorrido interferência nas investigações, cabendo às autoridades apurar o conteúdo e o contexto das conversas.
A decisão de retirar o sigilo ocorre em meio à investigação sobre uma suposta rede de influência relacionada a Vorcaro. Mendonça também indicou que os novos elementos deverão ser submetidos à análise dos demais ministros do STF.
O Terra informou que procurava o ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro para obter manifestações sobre o conteúdo divulgado.
Com informações do Terra
