Cabeleireira ajuda a desvendar mistério de 2 mil anos sobre penteados da Roma Antiga
Ao reproduzir penteados vistos em esculturas romanas, a cabeleireira americana Janet Stephens descobriu que tranças poderiam ser costuradas com agulha e linha, técnica capaz de explicar como estruturas tão elaboradas permaneciam firmes.

Uma cabeleireira dos Estados Unidos ajudou a esclarecer um antigo mistério sobre os sofisticados penteados usados pelas mulheres da Roma Antiga. Durante anos, pesquisadores consideraram que os estilos retratados em esculturas de imperatrizes e aristocratas dependiam de grampos ou grandes quantidades de cabelos postiços. A cabeleireira Janet Stephens, de Baltimore, decidiu testar outra possibilidade.
A investigação começou após uma visita ao Walters Art Museum, quando Stephens percebeu que os penteados das esculturas eram extremamente complexos, mas não apresentavam sinais claros dos grampos que supostamente sustentariam as estruturas. Ao estudar textos de autores latinos, ela encontrou a palavra acus, frequentemente interpretada como “grampo”, mas que também poderia significar agulha.
Stephens passou então a reproduzir os penteados utilizando instrumentos disponíveis na Antiguidade. Em vez de grampos modernos, usou agulha e linha para costurar as mechas e tranças umas às outras. A técnica manteve os penteados firmes e permitiu recriar modelos semelhantes aos registrados nas esculturas, sem depender de grandes estruturas ou necessariamente de perucas.
A pesquisa foi publicada em 2008 no Journal of Roman Archaeology. Além da função estética, os penteados também eram símbolos de riqueza e posição social. Mulheres das famílias mais abastadas podiam contar com servas especializadas, chamadas ornatrices, responsáveis pela elaboração dos cabelos.
O trabalho de Stephens tornou-se um exemplo de como conhecimentos práticos podem contribuir para a interpretação de evidências históricas. Atualmente, ela continua recriando penteados antigos e divulgando técnicas de cabeleireiro utilizadas por diferentes sociedades do passado.
Com informações do Aventuras na História e Journal of Roman Archaeology.
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