Cambé lança política integrada para prevenção e acompanhamento da saúde mental infantil
Iniciativa reúne secretarias para monitorar casos, fortalecer o atendimento às crianças e oferecer suporte às famílias de forma integrada

A Prefeitura de Cambé apresentou nesta terça-feira (17) uma nova política voltada ao monitoramento, prevenção e encaminhamento de casos relacionados à saúde mental na infância. A iniciativa reúne as secretarias municipais de Educação e Cultura, Saúde Pública e Assistência Social para ampliar o acompanhamento de crianças e suas famílias, promovendo uma atuação conjunta entre os serviços públicos.
A proposta prevê o compartilhamento de informações entre as três áreas, permitindo um atendimento mais ágil e integrado. Para isso, os servidores participaram de uma capacitação intersetorial para receber as orientações sobre a utilização de uma ferramenta que reunirá dados referentes ao acompanhamento escolar, atendimentos de saúde e assistência social.
As informações serão alimentadas por profissionais das escolas, das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e do Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi), possibilitando uma visão ampla da realidade de cada criança.
Segundo a secretária municipal de Educação e Cultura, Estela Camata, a iniciativa busca ampliar o olhar sobre a saúde mental infantil, indo além do ambiente escolar. Ela destaca que o crescimento de episódios de sofrimento psíquico entre estudantes exige uma atuação preventiva e articulada entre diferentes setores.
De acordo com a secretária, a intenção é acompanhar não apenas os alunos, mas também suas famílias, identificando situações de vulnerabilidade, verificando se tratamentos médicos estão sendo realizados corretamente e promovendo os encaminhamentos necessários para evitar que os casos evoluam para crises mais graves.
Na área da Saúde, a secretária Talita Bengozi explica que o município já realizava o acompanhamento de pacientes com histórico de crises ou tentativas de suicídio. Com a integração dos dados, entretanto, será possível identificar sinais de alerta de forma mais rápida e acompanhar, em tempo real, o atendimento prestado à criança e seus familiares.
A expectativa é que a comunicação entre os serviços facilite a identificação de faltas em consultas, interrupção de tratamentos ou outras situações que possam comprometer o cuidado, permitindo intervenções precoces antes que o quadro se agrave.
Já a Secretaria de Assistência Social e Cidadania terá papel fundamental no acompanhamento das famílias. Conforme explica a secretária Flávia Iwakura, o trabalho será desenvolvido a partir da chamada matricialidade familiar, metodologia que considera o núcleo familiar como elemento central para a proteção e o desenvolvimento da criança.
Ela ressalta que muitos casos de sofrimento emocional estão relacionados ao contexto social e familiar, como situações de vulnerabilidade, violência doméstica ou uso abusivo de álcool e outras drogas pelos responsáveis. Nesses casos, as equipes dos CRAS realizam o acompanhamento social e, quando necessário, o CREAS assume o atendimento especializado para enfrentar violações de direitos e promover os encaminhamentos adequados.
A nova política faz parte de um conjunto de ações implantadas pelo município para fortalecer o atendimento à saúde mental dos estudantes. Desde 2021, a rede municipal de ensino ampliou significativamente o número de profissionais de apoio destinados ao acompanhamento de alunos com laudos, passando de 40 para cerca de 300 servidores.
Outra medida adotada foi a implantação, em março deste ano, do Protocolo de Atendimento ao Aluno em Situação de Crise em Saúde Mental no Ambiente Escolar. O documento estabelece procedimentos padronizados para orientar profissionais da educação sobre como agir diante dos primeiros sinais de sofrimento psíquico e quais encaminhamentos devem ser realizados.
Com informações da Prefeitura de Cambé
