Cesta básica sobe 6,24% em Londrina e chega a R$ 716,68 em setembro
Alta foi puxada principalmente por arroz, tomate e carne bovina, segundo levantamento do NuPEA/UTFPR realizado em 11 supermercados da cidade

O preço médio da cesta básica em Londrina voltou a subir em setembro e chegou a R$ 716,68, alta de 6,24% em relação a agosto, quando o valor era de R$ 674,59. O levantamento é realizado mensalmente pelo Núcleo de Estudos de Pesquisa Econômica Aplicada, o NuPEA, da UTFPR.
A pesquisa foi feita nos dias 29 e 30 de setembro em 11 supermercados de diferentes regiões da cidade, incluindo a área central. Os pesquisadores acompanham os preços dos 13 produtos considerados essenciais para calcular o valor médio da cesta.
Apesar da alta expressiva no mês, setembro não registrou o maior valor do ano. Em 2026, as cestas mais caras foram observadas em maio, com R$ 721,31, e junho, com R$ 731,47.
Na comparação com janeiro, quando a cesta custava R$ 636,10, o aumento acumulado é de 12,67%. Em relação a setembro de 2025, quando o valor era de R$ 631,09, a alta chega a 13,56%.
Segundo o coordenador do NuPEA, Marcos Rambalducci, os aumentos registrados em agosto e setembro praticamente anularam a queda de 11,2% observada em julho. A carne bovina, item de maior peso na cesta, representou 44,7% do valor total em setembro e terminou o mês com alta de 8,8%.
De acordo com Rambalducci, a pressão sobre a carne está relacionada às exportações aquecidas e à menor oferta de animais para abate.
Itens que mais subiram
O arroz teve a maior alta entre agosto e setembro, com reajuste de 20%. Na sequência aparecem o tomate, com aumento de 17,6%; o açúcar, 16,8%; a farinha, 13,9%; a carne, 8,8%; o óleo de soja, 6,2%; o pão, 4,5%; a banana, 1,4%; e a batata, 1,3%.
No caso do arroz, a alta foi influenciada pela maior demanda da indústria para recomposição dos estoques. Já o tomate ficou mais caro por causa da redução na oferta, afetada pelas baixas temperaturas nas regiões produtoras, que atrasaram a maturação do produto.
Quatro itens ficaram mais baratos no período. A margarina teve queda de 9%, seguida pelo feijão, com recuo de 8,8%; café, 7,9%; e leite, 1,7%.
Segundo o NuPEA, o avanço da colheita aumentou a oferta de feijão e ajudou a reduzir os preços. No caso do café, a queda parece estar mais ligada a um ajuste no varejo do que a um aumento efetivo da disponibilidade do produto.
Pesquisa de preços pode gerar economia
O levantamento também mostra que pesquisar antes de comprar pode fazer diferença no bolso do consumidor. Se uma pessoa comprasse os produtos mais baratos encontrados nos 11 supermercados pesquisados, a cesta sairia por R$ 562,11, uma economia de 21,6% em relação ao valor médio.
Por outro lado, se os mesmos 13 itens fossem comprados no estabelecimento mais caro, o custo chegaria a R$ 820,95, valor 14,5% acima da média.
Em um cenário mais próximo da rotina do consumidor, comprando todos os produtos no supermercado com os menores preços, o valor final ficaria em R$ 619,16, o que representa economia de 13,6%.
O estudo também aponta perda no poder de compra do salário mínimo. Entre janeiro e setembro de 2026, a quantidade de cestas básicas que o piso salarial permite comprar caiu 4,46% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Alimentos também pressionam preços da indústria
Os dados da cesta básica acompanham a tendência observada pelo IBGE no Índice de Preços ao Produtor. Em agosto, o indicador variou 0,36%, depois de queda de 0,83% em julho.
Entre as 24 atividades industriais pesquisadas, 14 tiveram aumento de preços. O setor de alimentos foi o principal destaque, com alta de 1,99% em relação a julho. Foi a terceira elevação consecutiva e a maior desde novembro de 2024.
Segundo o IBGE, arroz, carne bovina e resíduos da extração de soja estiveram entre os produtos que mais influenciaram a alta dos alimentos na indústria. O arroz foi pressionado pela menor disponibilidade de estoques e pelo consumo aquecido. Já a carne bovina refletiu o aumento das vendas externas e o impacto do câmbio.
Com informações do NuPEA/UTFPR e IBGE.
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