Cinzas do vulcão Anak Krakatau paralisam aeroportos e afetam 341 mil passageiros na Indonésia
Erupção massiva cobriu a capital Jacarta com plumas de material vulcânico, forçou o cancelamento de quase 3 mil voos e levou escolas locais ao formato de ensino remoto.

A intensa atividade eruptiva do vulcão Anak Krakatau provocou o fechamento indeterminado de sete aeroportos na Indonésia nesta segunda-feira (7). Entre os terminais paralisados estão os dois principais pontos de conexão aérea que servem a capital, Jacarta. A proliferação de densas nuvens de cinzas no espaço aéreo regional comprometeu gravemente a navegação e deixou centenas de milhares de passageiros sem opção de transporte.
De acordo com dados divulgados pelo ministro-chefe da Infraestrutura do país, Agus Harimurti Yudhoyono, a crise na aviação já impacta diretamente cerca de 341 mil viajantes. Ao todo, a contagem de operações comprometidas atingiu a marca de 2.961 voos cancelados, desviados ou severamente atrasados desde o início das erupções, registrado no final da semana passada.
O ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, explicou que a suspensão das atividades aéreas foi estendida para permitir uma limpeza profunda das infraestruturas dos terminais. Equipes de solo trabalham na remoção do pó vulcânico acumulado em pistas de pouso, vias de táxi e pátios de manobra, medida indispensável para evitar que os resíduos sejam aspirados pelas turbinas das aeronaves.
O impacto do bloqueio é visível nas salas de embarque. No Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta, localizado na cidade vizinha de Tangerang, multidões de passageiros aglomeravam-se em busca de atualizações nos painéis eletrônicos ou improvisavam dormitórios nos bancos. Estrangeiros relataram momentos de profunda incerteza diante das constantes remarcações e da falta de previsão exata para a retomada dos serviços.
O Anak Krakatau, situado estrategicamente no Estreito de Sunda — entre as ilhas de Java e Sumatra —, lançou colunas de cinzas que atingiram patamares impressionantes. De acordo com a agência meteorológica BMKG, a pluma vulcânica alcançou até 6 mil metros de altitude no lado javanês e surpreendentes 15 mil metros na região de Sumatra e na província de Banten.
Especialistas em vulcanologia alertam para a extrema periculosidade de manter voos sob essas condições. O material expelido é rico em sílica e enxofre, minerais altamente abrasivos que, ao entrarem em contato com a alta temperatura dos motores a jato, podem fundir-se e provocar a parada total das turbinas, além de reduzir drasticamente a visibilidade dos pilotos.
A emergência ambiental também gerou forte impacto na rotina dos moradores da região. Em Jacarta e na província de Lampung, cinzas escuras cobriram ruas, residências e edifícios públicos. Como medida preventiva contra problemas respiratórios causados pela inalação de partículas tóxicas, as autoridades locais determinaram o uso compulsório de máscaras ao ar livre e a migração temporária das aulas escolares para o formato remoto.
O cenário noturno na região do vulcão tem sido marcado pelo brilho intenso de jorros de lava que tingem o céu de vermelho. Moradores de comunidades vizinhas trabalham ininterruptamente na remoção da poeira que se acumulou sobre imóveis e locais de culto, enquanto a agência de monitoramento alerta que a probabilidade de novas explões nos próximos dias continua extremamente elevada.
O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, conduziu uma reunião de emergência com seu gabinete para coordenar as ações de resposta ao evento natural. Na ocasião, o chefe de Estado lembrou a vulnerabilidade geográfica do país e defendeu um incremento expressivo no orçamento voltado à mitigação e prevenção de desastres.
A Indonésia abriga cerca de 130 vulcões ativos por estar localizada sobre o Anel de Fogo do Pacífico, uma das zonas de maior convergência de placas tectônicas e instabilidade sísmica do planeta. O histórico da região impõe alerta máximo permanente quanto aos riscos de novos abalos e fenômenos secundários.
O próprio Anak Krakatau — que significa “filho de Krakatau” — emergiu no início do século XX sobre as ruínas do antigo vulcão Krakatoa. A estrutura original protagonizou, em 1883, uma das erupções mais devastadoras da história da humanidade, responsável por vitimar mais de 36 mil pessoas devido a uma sucessão de tsunamis e explosões atmosféricas.
Em episódios mais recentes, como o registrado em 2018, o colapso parcial do cone do Anak Krakatau desencadeou uma onda gigante que resultou na morte de mais de 400 pessoas. As autoridades mantêm o cerco de segurança reforçado em torno do perímetro do vulcão até que os índices de emissão de fumaça e tremores de terra voltem a patamares seguros.
Com informações do Portal Metrópoles
