Defensoria do Paraná cria canal de apoio para mulheres vítimas de violência política de gênero
Projeto oferece atendimento jurídico gratuito e acompanhamento especializado para candidatas, lideranças e mulheres que atuam em espaços públicos e políticos

A Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR) criou um canal de atendimento voltado a mulheres vítimas de violência política de gênero. A iniciativa, desenvolvida pelo Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (NUDEM), busca oferecer suporte jurídico gratuito e ampliar a proteção à participação feminina na política.
O “Projeto de Enfrentamento à Violência Política de Gênero” prevê acolhimento, orientação jurídica e acompanhamento de casos envolvendo candidatas, pré-candidatas, mulheres eleitas ou nomeadas para cargos públicos, assessoras parlamentares, lideranças comunitárias e integrantes de movimentos sociais. Familiares das vítimas também poderão receber apoio.
Os pedidos de atendimento devem ser feitos por meio de um formulário disponível na página do NUDEM no site da Defensoria Pública. O serviço será oferecido a mulheres de todo o Paraná, sem necessidade de avaliação socioeconômica.
Segundo a defensora pública Mariana Martins Nunes, coordenadora do NUDEM, a proposta é tornar o projeto permanente. “Esse projeto nasce no início da campanha eleitoral deste ano, mas pretendemos que seja um projeto permanente. Para isso, criamos o Centro de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Política”, afirmou.
A Defensoria pretende estabelecer um fluxo estadual para receber denúncias, orientar as vítimas e acompanhar medidas judiciais e extrajudiciais. Entre as ações previstas estão notificações, representações aos órgãos competentes e atuação em processos que envolvam violência política de gênero.
O projeto também terá uma atuação coletiva, com produção de diagnósticos sobre as agressões contra mulheres na política no Paraná e realização de atividades de formação com perspectiva de gênero.
A criação do canal ocorre em meio a um cenário de baixa representatividade feminina. Dados nacionais indicam que, embora as mulheres representem a maioria do eleitorado brasileiro, elas ainda ocupam uma parcela reduzida dos cargos eletivos, além de enfrentarem episódios de intimidação, discursos de ódio e campanhas de desinformação.
