Demora e falhas no fornecimento elétrico da Copel elevam prejuízos e revoltam produtores rurais no Paraná

Falta de energia prolongada, protocolos encerrados sem solução e suporte ineficiente colocam em risco produções de leite, carnes e piscicultura no campo.

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Foto: Reprodução

As recentes tempestades que atingiram o Paraná voltaram a expor a vulnerabilidade do sistema elétrico rural e a inoperância do atendimento prestado pela Copel. Agricultores e pecuaristas de diversas regiões do estado enfrentam interrupções prolongadas no fornecimento de eletricidade, acumulando despesas extraordinárias e perdas significativas de alimentos e insumos sensíveis por falta de refrigeração.

No Noroeste paranaense, municípios como Xambrê, Perobal e Rondon registraram propriedades rurais sem eletricidade por vários dias consecutivos após o temporal de 31 de agosto. A ausência de energia inviabilizou o resfriamento adequado do leite, forçando o descarte da produção diária e sobrecarregando produtores que dependem de infraestrutura contínua.

Casos semelhantes de apagões com duração superior a 48 horas foram relatados em Marechal Cândido Rondon, no Oeste, e Porto Amazonas, nos Campos Gerais. Além da falta de luz, produtores rurais denunciam falhas graves nos canais de comunicação, com chamados encerrados pela concessionária sem que o problema técnico nas redes tenha sido resolvido no local.

Na pecuária de corte em Rondon, o desabastecimento comprometeu a distribuição de água aos animais e forçou a operação contínua de geradores a combustível. A rotina exigiu gastos imprevistos com diesel, desgaste do maquinário e causou a deterioração de insumos armazenados em congeladores, afetando negativamente a saúde financeira dos negócios locais.

Em Marechal Cândido Rondon, a piscicultura enfrentou custos drásticos para manter os tanques oxigenados. Com o rompimento de cabos e a demora de equipes técnicas na manutenção de chaves de distribuição, um produtor chegou a desembolsar quase R$ 8 mil diários em combustível para manter geradores ativos e evitar a mortandade em massa dos peixes.

A burocracia interna da concessionária também é apontada como obstáculo para a eficiência em campo. Técnicos da distribuidora frequentemente precisam contatar a central na capital para solicitar autorizações simples de manobra na rede, o que transforma reparos de poucos minutos em esperas que duram horas, agravando a situação das propriedades atingidas.

Pecuaristas do setor leiteiro também enfrentam quedas parciais de fase, que impedem o acionamento de máquinas e ordenhadeiras trifásicas. Mesmo após a abertura de chamados oficiais, consumidores receberam notificações informando erroneamente que o sistema operava normalmente, enquanto a rede continuava paralisada ou instável nas propriedades.

Em Porto Amazonas, produtores relatam episódios de oscilação quinzenal na tensão da rede elétrica, colocando em risco vacinas veterinárias e materiais biológicos mantidos sob controle térmico. A correção de falhas em transformadores em alguns casos só ocorreu após equipes de campo serem abordadas por acaso na região, evidenciando falhas no repasse de chamados do sistema central para os técnicos.

Diante do cenário crítico, o Sistema FAEP intensificou a cobrança junto à concessionária e a órgãos de fiscalização. A entidade que representa o agronegócio paranaense destaca que interrupções no fornecimento em atividades como avicultura, suinocultura, piscicultura e pecuária leiteira provocam prejuízos imediatos de difícil recuperação para as famílias do campo.

Como parte da mobilização, a entidade solicitou a apuração das falhas junto ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU). A cobrança exige que os reajustes tarifários aplicados pela concessionária sejam compatíveis com a qualidade e os investimentos efetivamente entregues no ambiente rural.

A criação de canais de suporte como o Copel Agro também não surtiu o efeito desejado, segundo relatos do setor produtivo. Produtores indicam que o atendimento automatizado por inteligência artificial não oferece encaminhamentos ágeis nem soluciona ocorrências emergenciais que exigem a presença de técnicos no local.

Para embasar denúncias formais e compor indicadores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a FAEP orienta que os agricultores registrem todas as interrupções na plataforma Consumidor.gov.br e guardem o histórico de protocolos não atendidos. Os dados auxiliam na comprovação do impacto econômico provocado pelas recorrentes falhas na distribuição.

Por meio de nota oficial, a Copel informou que os eventos climáticos entre o final de agosto e o início de setembro afetaram aproximadamente 180 mil unidades consumidoras no estado. A companhia declarou que atua no restabelecimento do fornecimento e que equipes enfrentam desafios de acesso em áreas rurais de difícil trafegabilidade ou com reflorestamento denso.

Enquanto as soluções definitivas não chegam, produtores do Paraná seguem arcando com o custo extra de combustível e o risco iminente de perdas na produção. A cobrada estabilidade no fornecimento de energia permanece como pauta prioritária para a manutenção da produtividade agropecuária nas propriedades paranaenses.

Com informações do Sistema FAEP

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Redação Paiquerê FM News

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