Aliança com EUA transforma Jordânia em alvo recorrente de ataques iranianos
A Jordânia, uma das principais aliadas dos Estados Unidos no Oriente Médio e sede de forças americanas, passou a enfrentar um custo crescente por sua relação com Washington, à medida que bases militares do reino se tornaram alvo recorrente de ataques iranianos.
Centenas de drones e mísseis lançados pelo Irã se somaram a outras pressões sobre o país, que enfrenta uma economia fragilizada, impacto de sucessivas ondas de refugiados e crescente instabilidade na vizinha Cisjordânia. Ainda assim, autoridades jordanianas dizem que pretendem preservar a aliança com os EUA, construída ao longo de décadas.
Analistas afirmam que a parceria com Washington também funciona como uma garantia de segurança para Amã diante do que o governo jordaniano considera tentativas iranianas de ampliar sua influência na região.
O rei Abdullah II já havia alertado no ano passado para os riscos de uma desestabilização mais ampla no Oriente Médio. “Estamos vivendo onda após onda de perturbação, sem pausa”, disse a parlamentares europeus. “Não há como saber onde terminarão as fronteiras deste campo de batalha.”
A Jordânia, que faz fronteira com Iraque, Arábia Saudita, Síria, Israel e Cisjordânia, tem mais de 11 milhões de habitantes. Sua economia foi pressionada nos últimos anos pela chegada de refugiados de conflitos regionais, pela alta dos preços de energia e pela inflação, enquanto o turismo também sofreu com a instabilidade no Oriente Médio.
Outro foco de preocupação é a Cisjordânia. Segundo Sean Yom, professor da Temple University, a escalada da violência de colonos israelenses contra palestinos alimenta temores de que uma deterioração da situação possa levar parte dos 2,8 milhões de palestinos que vivem no território a buscar refúgio na Jordânia.
Desde que assumiu o trono em 1999, após a morte de seu pai, o rei Hussein, Abdullah aprofundou os vínculos com Washington. A Jordânia forneceu apoio logístico e inteligência para a invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003 e participou posteriormente das operações contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.
Para Amer Sabaileh, analista político jordaniano, a aliança com os EUA é central na estratégia de Abdullah para proteger o reino de ameaças regionais, inclusive do Irã. Segundo Yom, a elite jordaniana vê o apoio de Teerã a milícias xiitas no Iraque, grupos palestinos armados e redes de tráfico na Síria como ameaças diretas à estabilidade do país.
Em 2021, Amã e Washington assinaram um acordo de cooperação em defesa que garantiu às forças e a contratados americanos acesso a 12 instalações militares jordanianas. Em 2025, a Otan abriu no país seu primeiro escritório de ligação no Oriente Médio.
Antes da guerra com o Irã, a Base Aérea Muwaffaq Salti tornou-se “um importante centro logístico” para aviões de transporte C-17 dos EUA e cerca de 60 aeronaves de combate, segundo David Schenker, pesquisador do Washington Institute. “A Jordânia oferece grande profundidade estratégica”, afirmou Schenker, classificando a posição do país como “essencial” para a campanha americana contra o Irã. “Isso torna a Jordânia um alvo, não apenas as forças dos EUA, mas também o rei.”
Cerca de 50 mil militares americanos estão posicionados atualmente no Oriente Médio, embora não haja um número oficial divulgado para a Jordânia. Schenker estima que ao menos 8%, ou US$ 1,47 bilhão, do orçamento anual do reino venha diretamente de subsídios dos EUA.
Em maio, o almirante Charles Bradford afirmou que os militares americanos haviam transferido pessoal e equipamentos de sua missão contra o Estado Islâmico do Iraque para a Jordânia, como parte de uma estratégia de longo prazo para afastar forças americanas do alcance de mísseis iranianos.
A presença militar, porém, também transformou o país em alvo. A maioria dos mísseis e drones disparados pelo Irã contra instalações na Jordânia foi interceptada pelas defesas aéreas americanas.
Nesta quinta-feira, em Viena, o ministro das Relações Exteriores jordaniano, Ayman Safadi, rejeitou a justificativa iraniana para os ataques e defendeu o direito de Amã de manter suas alianças. “O Irã vem nos atacando, assim como muitos outros países da região, muito antes mesmo de esta guerra começar”, afirmou, citando “interferência em assuntos internos” e outras ações clandestinas. “Somos um país soberano. Não fomos parte desta guerra.” Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
