Bolsas da Europa amargam perdas com tensões geopolíticas e alta das taxas de títulos da dívida
Por Patricia Lara*
São Paulo, 02/09/2026 – As bolsas europeias aprofundam perdas com as trocas de hostilidades entre os EUA e o Irã postergando as expectativas de retorno à normalidade nos fluxos de petróleo. A commodity e os preços do gás natural europeu sobem, com implicações para a inflação e política monetária na região em um momento em que o alto endividamento dos países amplia o custo de refinanciamento da dívida, deixando mais curto o cobertor para investimentos.
Por volta das 6h51 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 cedia 0,64%, para 643,32 pontos. No mesmo horário, a Bolsa de Londres recuava 0,5%. Em Frankfurt, o recuo era de 0,8% e a Bolsa de Paris perdia 0,64%. Milão tinha baixa de 0,5%. Madri cedia 0,3% e Lisboa perdia 0,5%.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 0,33%, para US$ 95,06, com tensões no Oriente Médio, onde os EUA e o Irã seguem trocando ataques. Por volta das 6h40, o contrato do Dutch TTF para outubro, principal referência para o preço de gás natural, tinha alta de 3%, a 74,40 euros por megawatt-hora, na ICE.
Em Londres, as perdas eram generalizadas e apenas 9 componentes do FTSE 100 estavam em alta perto das 6h43 (de Brasília) em meio ao avanço dos rendimentos dos gilts, já que pressões externas se somam a fatores internos. Os rendimentos dos títulos estão em máximas de vários anos, aumentando a pressão sobre finanças públicas já sob tensão, afirma Daniel Mahoney, economista sênior para o Reino Unido do Handelsbanken, em uma nota. “Os movimentos atuais nos mercados financeiros certamente reduzirão ainda mais a margem de manobra fiscal do governo no próximo orçamento”, diz. Custos de financiamento elevados aumentam o risco de novos aumentos de impostos no orçamento, acrescenta Mahoney.
Em Frankfurt, montadoras estavam em destaque entre as quedas, como a Volkswagen (-3,97%) e a Porsche Automobil (-3,48%). A Daimler perdia 1,9% e a BMW recuava 1,8%. A varejista Zalando (-4,3%) era a maior baixa porcentual do DAX.
Contato: patricia.andrioli@estadao.com
* Com informações da Dow Jones Newswires
