Casares não vai à audiência na Comissão de Ética do São Paulo e aguarda veredito sobre expulsão
Depois de renunciar ao cargo de conselheiro e seu título de sócio do São Paulo, Júlio Casares, investigado por gestão temerária e atividades irregulares durante seu mandato, não compareceu à reunião da Comissão Ética do Conselho Deliberativo do clube marcada para esta quinta-feira, 30. A defesa do ex-presidente ainda pediu o fim das investigações.
Baseada no artigo 5º, inciso XX, da Constituição Federal, os advogados de Casares pediram o encerramento do processo a partir de sua renúncia ao cargo de conselheiro, pois entendem que também houve renúncia ao quadro associativo. Já o Conselho Deliberativo do time tricolor se respalda no Estatuto Social do São Paulo e afirma que o ex-mandatário não poderia deixar o quadro de sócios por estar em meio a uma investigação.
De acordo com o regimento, “não será aceito pedido de demissão do Quadro Associativo, quando o Associado for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento (…)”. No entanto, a Constituição Federal diz que “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado”.
Agora, a Comissão de Ética terá um prazo de cinco dias para dar o veredito que pode encaminhar a votação de expulsão de Casares ao Conselho Deliberativo.
Em relação à renúncia ao cargo de conselheiro, o advogado Bruno Borragine, que representa o ex-presidente, disse ao Estadão que Casares sofre um “processo de exceção”. Para sua defesa, o dirigente não conseguiu documentos para compor sua representação na Comissão de Ética do Conselho Deliberativo e, por isso, teve o direito de defesa “cerceado”. Segundo Borragine, a própria comissão não autorizou o acesso.
Em janeiro, Casares, que assumiu a presidência do São Paulo em 2021, renunciou ao cargo depois de aprovação de seu afastamento pelos conselheiros. Na época, a renúncia encerrou o processo de impeachment, que seria concluído com uma assembleia de sócios e que provavelmente o afastaria em definitivo. Harry Massis, que era vice de Casares, assumiu como presidente do São Paulo. A próxima eleição presidencial do clube será realizada no fim deste ano.
Vale destacar que, além de ser investigado pela comissão, Casares também é alvo de investigações do Ministério Público e da Polícia Civil por possível esquema clandestino de uso de camarotes no MorumBis e supostos saques irregulares dos cofres do clube.
