Exportações brasileiras para os EUA caem enquanto China ganha espaço
Dados da balança comercial mostram recuo nos embarques para o mercado norte-americano e avanço das relações comerciais com países asiáticos

Após semanas de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, o mercado norte-americano perdeu espaço na balança comercial brasileira. Ao mesmo tempo, a China segue ampliando sua presença como principal parceira comercial do país e fortalecendo a demanda por produtos brasileiros.
A mudança ocorre em meio ao debate sobre possíveis sanções e novas tarifas por parte do governo dos Estados Unidos. As taxas discutidas variam entre 12,5% e 25%, dependendo do tipo de medida e dos setores atingidos.
A perda de participação dos Estados Unidos no comércio com o Brasil também acontece após tarifas que já vigoraram no segundo semestre do ano passado e diante da possibilidade de novas cobranças sobre produtos brasileiros.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos também incluiu o Brasil em uma lista de países com recomendação de imposição de tarifas de 12,5%. A justificativa norte-americana é de que o país teria falhado, na visão dos EUA, no combate ao trabalho forçado. Outros 59 países também aparecem nessa relação, com possíveis tarifas entre 10% e 12,5%.
Segundo dados da balança comercial brasileira, nos primeiros cinco meses do ano, as exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 16,02% em comparação com o mesmo período de 2025.
Enquanto isso, o comércio com países asiáticos vem ganhando força. Além da China, que amplia o peso nas exportações brasileiras, a Índia também registrou forte crescimento. De janeiro a maio, os embarques do Brasil para o mercado indiano aumentaram 70,22% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Brasil também vem diversificando os mercados de importação. A Coreia do Sul, por exemplo, teve alta de 138,68% nas vendas para o Brasil. Nos cinco primeiros meses do ano, as importações brasileiras vindas do país asiático somaram US$ 5,31 bilhões, contra US$ 2,2 bilhões no mesmo período do ano passado.
O movimento reforça uma mudança no perfil das relações comerciais brasileiras, com maior aproximação de mercados asiáticos em um momento de incertezas nas negociações com os Estados Unidos.
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