Governo avalia resposta à tarifa dos EUA, mas vê riscos em taxar produtos americanos
Lei da Reciprocidade Econômica pode ser acionada, mas especialistas alertam para possível impacto nos preços ao consumidor brasileiro

Com a confirmação de uma tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros, o governo federal passou a discutir quais medidas poderá adotar em resposta à decisão norte-americana.
Logo após o anúncio, o Palácio do Planalto classificou a medida como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países e informou que daria início aos procedimentos para avaliar o uso da Lei da Reciprocidade Econômica.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a aplicação da lei está em análise, mas evitou tratar a possível resposta como retaliação. Segundo ele, a legislação protege os interesses nacionais e estabelece caminhos para o Brasil reagir a medidas unilaterais adotadas por outros países.
A equipe econômica também avalia a lista de produtos atingidos, os setores mais afetados e os possíveis impactos da decisão sobre empresas brasileiras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só deve definir uma resposta após nova manifestação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, criticou a decisão norte-americana e defendeu o uso da Lei da Reciprocidade Econômica como instrumento legítimo de defesa dos interesses do país.
Apesar disso, a aplicação da medida exige cautela. Um dos principais riscos é o aumento de preços para consumidores brasileiros. Caso o governo decida elevar tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos, parte desse custo pode ser repassada ao consumidor final.
Na prática, o Brasil poderia ser afetado em duas frentes: primeiro, pela perda de competitividade dos produtos exportados aos Estados Unidos; depois, por um eventual encarecimento de itens americanos vendidos no mercado brasileiro.
Por isso, o governo trata a resposta com cuidado. Além de tarifas, a Lei da Reciprocidade prevê outros instrumentos para reagir a medidas comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil.
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