Homem preso por violência doméstica nega agressões; vítima relata controle, ameaças e medo em Ibiporã
Claudinei Nogueira, de 44 anos, foi preso no Hospital Cristo Rei após a companheira pedir socorro durante atendimento médico; mulher conseguiu medida protetiva de urgência

Claudinei Nogueira, de 44 anos, preso em flagrante nesta quinta-feira (27) no Hospital Cristo Rei, em Ibiporã, negou em depoimento ter agredido fisicamente a companheira. Questionado pelo delegado sobre a discussão ocorrida antes da vítima procurar atendimento, ele afirmou: “Discutimos feio mesmo”. Ao ser perguntado se houve agressão física, respondeu: “Não, jamais”. A mulher, porém, relatou à Polícia Civil que vinha sofrendo ameaças, violência psicológica e agressões durante o relacionamento, que durava cerca de um ano. Ela conseguiu pedir ajuda ao escrever no prontuário médico uma mensagem solicitando que o companheiro não entrasse na consulta. O homem foi abordado e preso ainda na recepção do hospital.
Em depoimento, a vítima descreveu uma rotina de controle e medo. Segundo ela, Claudinei acompanhava seus deslocamentos, fiscalizava suas conversas pelo celular e dificultava o contato com familiares. Ao explicar como era impedida de sair de casa, relatou que o companheiro fazia ameaças quando ela tentava deixar o imóvel. “Eu falava: ‘estou indo’. Chegava quase perto da porta e ele falava: ‘um, dois, três’, e se não voltava, ‘vai ter papo’”, contou. Ela também afirmou que ele controlava as ligações com familiares e que temia pela própria segurança e pela filha. Conforme a investigação, os episódios de violência teriam começado cerca de três meses após o início do relacionamento e se repetido por aproximadamente nove meses.
Claudinei permanece preso e responde, até o momento, por lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. A vítima obteve medida protetiva de urgência. Segundo a Polícia Civil, o investigado também possui registro anterior relacionado a violência contra uma ex-companheira. A defesa informou que aguarda a definição da Justiça sobre eventual conversão da prisão em preventiva e que apresentará os argumentos técnicos após analisar as provas reunidas no processo. A decisão sobre a manutenção da prisão caberá ao Poder Judiciário.
