Humanos podem ter usado o fogo 700 mil anos antes do que a ciência acreditava

Estudo realizado na África do Sul sugere que ancestrais humanos da espécie Homo erectus já manipulavam o fogo há até 1,8 milhão de anos, muito antes das estimativas aceitas atualmente

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Foto: Reprodução | Wikimedia Commons

Uma nova descoberta pode mudar significativamente o que sabemos sobre a evolução humana. Um estudo publicado na revista científica PLOS ONE sugere que nossos ancestrais podem ter começado a utilizar o fogo cerca de 700 mil anos antes do que indicavam as evidências mais aceitas pela comunidade científica.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade de Toronto, no Canadá, e aponta que grupos da espécie Homo erectus já poderiam utilizar o fogo entre 1,07 milhão e 1,79 milhão de anos atrás.

As evidências foram encontradas na famosa Caverna Wonderwerk, localizada na África do Sul, um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo quando o assunto é a origem do domínio do fogo pelos seres humanos.

Até então, os registros mais sólidos indicavam que o uso frequente e controlado do fogo havia começado há cerca de 800 mil anos. Caso a nova interpretação seja confirmada, essa linha do tempo precisará ser revisada.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram fragmentos de ossos encontrados em camadas profundas da caverna. Utilizando uma técnica moderna baseada em luminescência, eles conseguiram identificar sinais de exposição ao calor em materiais que permaneceram preservados por mais de um milhão de anos.

Segundo os cientistas, os ossos queimados apresentam alterações microscópicas que fazem com que brilhem de forma diferente quando expostos a determinadas fontes de luz. Essa característica permitiu identificar que muitos dos fragmentos encontrados haviam sido submetidos ao fogo.

Grande parte desses restos era formada por pequenos animais consumidos por aves de rapina, que regurgitavam os ossos em forma de pelotas. A hipótese dos pesquisadores é que os hominídeos tenham aproveitado esse material acumulado como combustível dentro da caverna.

Outro ponto que fortalece a teoria é o local onde os vestígios foram encontrados. Os sinais de combustão estavam a cerca de 30 metros da entrada da gruta, tornando improvável que incêndios naturais externos tenham alcançado a área de forma acidental.

Os cientistas acreditam que os grupos humanos poderiam ter transportado chamas do ambiente externo para o interior da caverna utilizando galhos ou tochas improvisadas, realizando pequenas fogueiras de forma deliberada.

Apesar dos resultados promissores, parte da comunidade científica ainda pede cautela. Alguns especialistas afirmam que são necessárias evidências mais diretas para comprovar que o fogo era efetivamente controlado pelos hominídeos e não resultado de eventos naturais.

A descoberta é considerada extremamente relevante porque o domínio do fogo foi uma das maiores revoluções da história da humanidade. Cozinhar alimentos permitiu uma digestão mais eficiente, maior aproveitamento de nutrientes e forneceu energia extra para o desenvolvimento do cérebro humano.

Além disso, o fogo trouxe proteção contra predadores, ajudou na ocupação de regiões mais frias e fortaleceu a convivência social entre os primeiros grupos humanos.

Se confirmada, a descoberta da Caverna Wonderwerk poderá reescrever um dos capítulos mais importantes da evolução humana e mostrar que nossos ancestrais dominaram essa poderosa ferramenta muito antes do que se imaginava.

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