Justiça solta quatro investigados por tortura e morte de jovem que caiu de prédio em Londrina

Suspeitos estavam presos havia 24 dias e passam a responder em liberdade com medidas cautelares; laudo apontou que Alexandre Rodrigues Ramos caiu ao tentar fugir das agressões

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Foto: Reprodução

A Justiça determinou a soltura dos quatro homens investigados por suspeita de envolvimento na tortura e morte de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, em Londrina, no Norte do Paraná. Os suspeitos deixaram a prisão no domingo (6), depois de permanecerem detidos por 24 dias. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

A decisão ocorreu após a entrega de um laudo elaborado pela Polícia Científica à Polícia Civil. O documento apontou que Alexandre não teria sido jogado do 14º andar do prédio onde estava, mas sim caído ao tentar fugir da violência a que vinha sendo submetido dentro do apartamento.

O caso aconteceu no dia 14 de agosto e causou grande repercussão em Londrina. Alexandre morreu após cair de um prédio. Inicialmente, uma das principais dúvidas da investigação era se ele havia sido arremessado pelos suspeitos ou se teria caído durante uma tentativa de fuga. Com o laudo, a perícia descartou a hipótese de que a vítima tenha sido jogada.

Segundo a Polícia Civil, Alexandre estava no apartamento da namorada quando foi confrontado por colegas dela. A motivação apontada inicialmente seria o suposto furto de uma câmera fotográfica avaliada em cerca de R$ 12 mil. A vítima teria sido acusada pelo grupo, agredida, ameaçada, amarrada e mantida em cárcere dentro de um dos cômodos do imóvel.

De acordo com as investigações, Alexandre teria sido atacado com chutes, socos e tapas. A polícia também apura a informação de que ele teria sido obrigado a ingerir comprimidos de uma medicação capaz de causar alteração no estado de consciência. Antes da queda, ele estaria com os pés e as mãos amarrados com um cabo de extensão.

Seis pessoas moravam no apartamento: a namorada da vítima, os quatro investigados e outro homem, que teria acionado a polícia após a chegada das equipes ao local. Os quatro suspeitos, com idades entre 22 e 24 anos, foram presos inicialmente por tortura, com agravante de cárcere privado e resultado morte.

Além disso, eles também foram autuados por fraude processual. Conforme a Polícia Civil, os investigados teriam escondido as amarras que estavam nos pulsos e nas pernas de Alexandre, o que poderia interferir na apuração da cena do crime.

Com a decisão judicial, os quatro suspeitos passam a responder ao processo em liberdade, mas deverão cumprir medidas cautelares. Três deles terão que usar tornozeleira eletrônica. Todos também estão proibidos de manter contato com testemunhas e de deixar Londrina sem autorização da Justiça.

A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão de outros exames antes de finalizar o inquérito. Entre eles estão o laudo toxicológico e a análise sobre medicamentos que podem ter sido administrados à vítima antes da queda.

A definição final da investigação será importante para estabelecer a tipificação do crime. Para a Polícia Civil, a tortura já estaria configurada com base nos depoimentos e nos elementos coletados até agora. A apuração ainda busca confirmar se a morte será mantida como consequência da tortura, mesmo sem a vítima ter sido jogada diretamente do prédio.

Em caso de tortura simples, a pena prevista é menor. Já quando a tortura resulta em morte, a punição pode ser mais severa. A situação ainda pode ter agravantes relacionados ao cárcere privado e à restrição de liberdade da vítima.

A defesa dos investigados, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, afirmou que não existem elementos concretos para justificar a manutenção da prisão preventiva após a conclusão dos laudos do local da morte e de necropsia.

Apesar da soltura, o caso continua sob investigação. A Polícia Civil deve concluir o inquérito após receber os laudos pendentes e reunir todos os elementos necessários para apontar a responsabilidade de cada investigado.

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Redação Paiquerê FM News

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