Mais de 240 municípios do Paraná não preveem recursos para segurança pública
Levantamento do Tribunal de Contas aponta que 247 cidades não reservaram verba específica para o setor, o que pode impedir o acesso a recursos federais para investimentos.

Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aponta que 247 dos 399 municípios paranaenses não reservaram recursos específicos para a segurança pública no orçamento de 2026. Outros 123 incluíram verbas para a área, enquanto 29 não apresentaram informações detalhadas sobre o tema. A prefeitura, de acordo com o levantamento, não previu orçamento para a Guarda Municipal.
A ausência de previsão orçamentária pode impedir que as prefeituras tenham acesso a recursos federais destinados a investimentos em segurança pública. Para receber esses valores, os municípios precisam incluir os recursos na Lei Orçamentária Anual (LOA) e atender aos requisitos exigidos para a liberação das verbas.
Segundo Rafael Ayres, coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR, as administrações municipais podem buscar alternativas de financiamento por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública. Para isso, porém, precisam desenvolver projetos, estruturar a gestão e cumprir as exigências necessárias.
No Paraná, 40 municípios contam com Guardas Municipais, concentradas principalmente em cidades com mais de 100 mil habitantes, como Londrina e Curitiba. Entretanto, municípios menores também podem desenvolver iniciativas próprias para reforçar a proteção da população e do patrimônio público.
Outra estratégia adotada pelas prefeituras é a instalação de câmeras de monitoramento em espaços públicos. De acordo com o levantamento, 136 cidades paranaenses utilizam esse tipo de equipamento, mas quase metade dos sistemas ainda não está integrada, o que dificulta o compartilhamento de informações com as forças estaduais de segurança.
O TCE-PR aponta que a integração entre os sistemas municipais e estaduais é um dos principais desafios do setor. A troca de informações pode contribuir para tornar o atendimento às ocorrências e as ações de prevenção mais eficientes.
O relatório reforça que a segurança pública também pode receber investimentos dos municípios, por meio de planejamento orçamentário, tecnologia, estrutura administrativa e cooperação com outros órgãos. A falta de previsão de recursos, porém, limita as possibilidades de financiamento federal para iniciativas nessa área.