Mais de 42 mil vírus desconhecidos são encontrados em espaços públicos de cidades pelo mundo

Uma pesquisa internacional identificou mais de 42 mil espécies de vírus de RNA até então desconhecidas pela ciência após analisar amostras coletadas em 102 cidades, incluindo São Paulo. Apesar do número expressivo, os pesquisadores destacam que a maioria dos vírus encontrados não representa perigo para os seres humanos.

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Reprodução: Banco de imagens

Uma pesquisa internacional revelou uma enorme diversidade de vírus presentes nos ambientes urbanos. Cientistas identificaram mais de 42 mil espécies até então desconhecidas ao analisar amostras coletadas em espaços públicos e redes de esgoto de 102 cidades ao redor do mundo.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, analisou 2.922 amostras de 31 países. Entre os locais pesquisados estavam superfícies de contato frequente, como estruturas de metrôs, bancos, máquinas de bilhetes e ambientes hospitalares, além de sistemas de esgoto.

Ao todo, os pesquisadores catalogaram 54.945 espécies de vírus de RNA. Aproximadamente 77% delas ainda não haviam sido descritas anteriormente pela ciência, demonstrando que uma grande parcela da diversidade viral presente nas cidades permanece desconhecida.

Apesar dos números, os pesquisadores ressaltam que a descoberta não representa uma ameaça sanitária imediata. Entre todas as espécies mapeadas, apenas 60 foram consideradas potencialmente capazes de infectar seres humanos. Desse grupo, somente 19 foram encontradas em superfícies de uso público.

Grande parte dos microrganismos identificados pertence ao grupo dos bacteriófagos, vírus que infectam bactérias e não atacam células humanas. A presença de um vírus em determinada superfície também não significa, por si só, que exista risco de transmissão ou desenvolvimento de doenças.

O levantamento incluiu amostras coletadas em São Paulo. Os pesquisadores observaram uma concentração maior de vírus patogênicos para vertebrados em hospitais paulistanos quando comparados às unidades de saúde analisadas nos Estados Unidos. No entanto, um dos autores do estudo, Antônio Pedro Camargo, ressaltou que a diferença pode estar relacionada à própria amostragem e não permite estabelecer uma explicação biológica.

As amostras foram obtidas entre março e julho de 2020, utilizando swabs estéreis em locais com grande circulação de pessoas. Posteriormente, os cientistas recorreram à metatranscriptômica, técnica que permite analisar simultaneamente o RNA encontrado em uma amostra.

Para os pesquisadores, o levantamento oferece uma espécie de atlas da diversidade viral dos ambientes urbanos e pode contribuir para futuros sistemas de monitoramento. A expectativa é que novas pesquisas revelem uma quantidade ainda maior de vírus desconhecidos presentes no cotidiano das cidades.

Com informações do Aventuras na História, CNN Brasil e Nature Communications.

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