Meu SUS Digital passa a oferecer ferramenta para avaliar consumo de álcool
Modera Brasil permite que usuários façam uma avaliação gratuita e sigilosa dos hábitos de consumo e recebam orientações para reduzir riscos à saúde

O Ministério da Saúde passou a disponibilizar no Meu SUS Digital o Modera Brasil, ferramenta que permite aos usuários avaliar os próprios hábitos de consumo de bebidas alcoólicas e receber orientações para reduzir possíveis riscos à saúde.
Desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Ministério da Saúde, o miniapp já era utilizado pela rede municipal de saúde de São Paulo e agora foi integrado à plataforma federal. Para isso, a ferramenta passou por adaptações relacionadas à segurança, acessibilidade e às diretrizes do Governo Federal para serviços digitais.
A proposta é facilitar a identificação de padrões de consumo que possam representar riscos e ampliar o acesso da população a informações confiáveis. A partir das respostas fornecidas pelo usuário, o sistema faz uma triagem e apresenta recomendações educativas, além de indicar a busca por atendimento na rede pública quando necessário.
O Modera Brasil utiliza o Alcohol Use Disorders Identification Test (Audit), questionário desenvolvido e validado internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar padrões de consumo de álcool. A avaliação é feita por meio de perguntas simples e, conforme a pontuação obtida, o usuário é classificado em diferentes níveis de risco, que incluem consumo de baixo risco, moderado e uso problemático.
Além do questionário, a plataforma oferece conteúdos informativos, exercícios e estratégias que podem ajudar na redução dos danos associados ao consumo de álcool. Quando necessário, o usuário também recebe orientações para procurar atendimento na Rede de Atenção à Saúde do SUS.
Dados do Ministério da Saúde mostram que 20,4% da população adulta brasileira consome pelo menos seis doses de bebida alcoólica em uma mesma ocasião, comportamento classificado como consumo excessivo. O percentual consta no Vigitel 2025, levantamento que acompanha fatores de risco e proteção para doenças crônicas no país.
O índice representa um aumento em relação ao início da série histórica. Em 2006, 15,6% dos adultos apresentavam esse padrão de consumo. Embora o indicador geral não tenha apresentado variação significativa nos últimos anos, houve crescimento entre pessoas de 35 a 44 anos, faixa em que o percentual passou de 17,4% para 26,3% no período analisado. Entre as mulheres, a taxa subiu de 7,8% para 15,7%.
A procura por atendimento relacionada ao consumo de álcool também aumentou no SUS. Na Atenção Primária à Saúde, os registros de atendimentos por problemas e condições associados ao uso de bebidas alcoólicas passaram de 326,2 mil em 2016 para cerca de 840 mil em 2025, crescimento superior a 157%.
Para acessar o Modera Brasil, o usuário deve entrar no aplicativo Meu SUS Digital e procurar a ferramenta na área de aplicações. Após responder ao questionário, a plataforma apresenta a classificação de risco e indica uma jornada de conteúdos e orientações de acordo com o resultado.
O Ministério da Saúde destaca que a avaliação digital não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas ao consumo de álcool podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), considerada a principal porta de entrada para o atendimento no SUS.
Nas UBSs, as equipes realizam acolhimento, avaliação dos riscos, orientações para reduzir ou interromper o consumo e acompanhamento de possíveis problemas de saúde relacionados ao álcool. Quando há necessidade de atendimento especializado, o paciente pode ser encaminhado para os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD).
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas está associado a diversos problemas de saúde, incluindo dependência, doenças hepáticas, transtornos mentais, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, como o câncer de mama.
Com o Modera Brasil, a expectativa do Ministério da Saúde é ampliar o acesso à informação e estimular a identificação precoce de comportamentos de risco, oferecendo ao usuário caminhos para reduzir os danos e, quando necessário, buscar acompanhamento na rede pública de saúde.
Guilherme Gomes
Ministério da Saúde
