Ministério do Trabalho recebe mais de 7 mil denúncias de assédio eleitoral no país
Registros quase dobraram após o segundo turno das eleições presidenciais. No Paraná, foram contabilizadas 268 denúncias nos primeiros três dias de funcionamento do canal específico

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) recebeu mais de 7 mil denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho em todo o Brasil. O número foi divulgado nesta quarta-feira (4) pelo ministro Luiz Marinho, que pediu aos empresários que tenham ameaçado ou demitido funcionários por motivos políticos que recuem e façam uma retratação pública.
Até 31 de outubro, o ministério havia registrado 4.305 denúncias. O volume aumentou na semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais, período em que também circularam nas redes sociais listas de boicote a estabelecimentos comerciais e publicações incentivando a demissão de trabalhadores por suas preferências políticas.
Durante entrevista coletiva, o ministro afirmou que o objetivo do governo é garantir os direitos dos trabalhadores, e não punir empregadores preventivamente. No entanto, alertou que empresas que comprovadamente demitirem funcionários por questões políticas poderão sofrer punições.
Marinho também ressaltou que nem todas as denúncias representam necessariamente casos concretos de assédio eleitoral. Os relatos recebidos passam por análise da Auditoria Fiscal do Trabalho, responsável pela apuração das possíveis irregularidades.
Paraná teve 268 denúncias em três dias
Nos primeiros três dias de funcionamento do canal específico para receber denúncias, entre 28 e 30 de outubro, o Paraná contabilizou 268 registros. O Estado ficou na quarta posição nacional, atrás de São Paulo, com 1.325 denúncias; Rio de Janeiro, com 354; e Minas Gerais, com 345.
Na região Sul, Santa Catarina registrou 259 denúncias, enquanto o Rio Grande do Sul teve 230. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho em 31 de outubro, antes do novo balanço nacional apresentado pelo ministro.
O que é assédio eleitoral
O assédio eleitoral acontece quando empregadores ou superiores pressionam, ameaçam ou constrangem funcionários por suas escolhas políticas. A prática também inclui ameaças de demissão ou desligamentos motivados pela preferência eleitoral do trabalhador.
Quem sofrer ou presenciar esse tipo de situação pode registrar uma denúncia nos canais do Ministério do Trabalho e Emprego ou do Ministério Público do Trabalho. Os registros são mantidos sob sigilo e encaminhados aos órgãos responsáveis pela apuração.