MP denuncia presidente da Câmara e vereador de Guarapuava por suspeita de corrupção
Acusação envolve suposto pagamento de vantagens indevidas para regularizar uma obra iniciada sem licença; outros dois investigados também foram denunciados.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia criminal contra o presidente da Câmara Municipal de Guarapuava, Pedro Moraes (MDB), e o vereador Danilo Dominico (PP), por suspeita de participação em um esquema de corrupção. Um servidor público municipal e um empresário ligado a uma farmácia da cidade também são alvos da denúncia. Os parlamentares negam as acusações.
De acordo com o Ministério Público, o caso envolve a tentativa de regularizar um edifício cuja construção começou em 2019 sem aprovação do projeto arquitetônico e sem licença para construir. A obra foi embargada pelo setor responsável da Prefeitura após a identificação de irregularidades consideradas graves.
As investigações apontam que, em 2023, um dos empresários teria procurado o presidente da Câmara para conseguir a liberação da construção. Segundo a acusação, pagamentos indevidos teriam sido realizados durante o processo de regularização do imóvel.
Conforme o MPPR, depósitos em dinheiro nas contas bancárias de Pedro Moraes, de Danilo Dominico e de um servidor municipal somaram R$ 99.650. A investigação sustenta que os valores estariam relacionados à atuação dos envolvidos para viabilizar a regularização da obra.
A denúncia também aponta que, diante da recusa de profissionais técnicos em assinar a documentação necessária, o então secretário municipal de Habitação e Urbanismo teria assinado pessoalmente documentos relacionados à autorização da construção e à conclusão do edifício. O Ministério Público ainda investiga uma possível alteração na avaliação do imóvel que teria reduzido os tributos devidos.
Os quatro denunciados respondem, conforme a acusação, por possíveis crimes de associação criminosa, advocacia administrativa, prevaricação, corrupção ativa e passiva, crime funcional contra a ordem tributária e lavagem de ativos.
Em manifestação divulgada anteriormente, Pedro Moraes negou ter cometido os crimes e afirmou que pretende demonstrar sua inocência perante a Justiça. A Câmara Municipal informou que acompanha o caso e defende o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. A defesa de Danilo Dominico também contestou a existência de provas suficientes para sustentar as acusações.
A denúncia integra a Operação Fórmula Mágica, deflagrada em agosto de 2026, quando foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão. As investigações continuam para apurar a possível participação de outras pessoas no caso. O oferecimento da denúncia não representa condenação, e os fatos ainda dependem da análise judicial.
Com informações do G1