Operação Fluxo Oculto mira fintechs suspeitas de movimentar mais de R$ 26 bilhões no setor de combustíveis
Nova fase da investigação iniciou-se esta manhã e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio por meio de fintechs e fundos de investimento

A Operação Fluxo é a segunda fase de uma operação da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo que investiga fraudes, lavagem de dinheiro e sonegação no setor de combustíveis. Mesmo após ação realizada em agosto do ano passado, ainda é apontado que que fintechs sediadas em São Paulo seguem ocultando dinheiro do crime organizado.
A ação esá atuando para investigar a movimentação ilegal de mais de R$ 26 bilhões de 2022 a 2025. A investigação liga seis novas fintechs que são sediadas na avenida coração da economia de São Paulo e do Brasil: Avenida Brigadeiro Faria Lima.
Segundo a Receita Federal, as seis fintechs investigadas teriam sido utilizadas para movimentar recursos entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimento ligados ao grupo criminoso. As instituições também seriam usadas para o pagamento de colaboradores, despesas pessoais e investimentos dos principais operadores do esquema.
De acordo ainda com as investigações há ainda a suspeita de movimentação através de movimentação dinheiro vivo, sendo 1 bilhão destinado a uma dessas instituições dessa maneira.
Apenas três das fintechs investigadas informaram à Receita Federal cerca de R$ 8 bilhões em movimentações no ano de 2025. As outras três devem ser autuadas por não apresentarem a declaração obrigatória. A Receita também identificou pelo menos R$ 365 milhões em transações envolvendo cripto ativos.
A Operação Fluxo Oculto cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em São Paulo, as ordens judiciais são cumpridas na capital e em cidades como Barueri, Santos, Paulínia, Sorocaba, São José do Rio Preto e Mogi das Cruzes.
Outra frente da investigação apura a suspeita de ocultação patrimonial por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados, conhecidos como FIDC-NP. Segundo os investigadores, o grupo teria utilizado o mercado financeiro formal para movimentar recursos de origem ilícita e dificultar a identificação dos beneficiários finais.
De acordo com a apuração, empresas de fachada emitiam boletos que eram pagos por fundos de investimento. As operações chamaram a atenção das autoridades porque, segundo a investigação, as cessões ocorriam sem deságio, ou seja, sem desconto, e com prazos muito curtos, em alguns casos de apenas um dia. Para os investigadores, essas características indicam possível simulação de transações financeiras.
Esses fundos, ainda conforme a investigação, seriam fechados e teriam poucos cotistas, funcionando como uma camada adicional para mascarar a origem e o destino dos valores movimentados.
Entre os fundos citados na apuração estão Zeus FIDC-NP, Gran Capital FIDC-NP e FIDC DB Crédito Global. A investigação também menciona gestores, operadores financeiros e empresas que teriam ligação com o esquema, mas as responsabilidades individuais ainda dependem do avanço das apurações e das decisões da Justiça.
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