Paraná é o terceiro estado com mais denúncias de assédio eleitoral em 2026
Ministério Público do Trabalho recebeu 338 registros no Estado após o segundo turno. Em todo o país, foram contabilizadas 3.396 denúncias ao longo do ano

O Paraná ocupa a terceira posição entre os estados com maior número de denúncias de assédio eleitoral em 2026. De acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), o Estado contabilizou 338 registros até quinta-feira (29), ficando atrás apenas de São Paulo, com 620 denúncias, e Minas Gerais, com 351.
O número de ocorrências aumentou significativamente após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). Desde segunda-feira (26), foram registradas 1.459 novas denúncias em todo o Brasil, um crescimento superior a 75% em relação ao balanço anterior.
Com isso, o total nacional chegou a 3.396 registros em 2026. As novas ocorrências representam aproximadamente 40% de todas as denúncias recebidas pelo órgão durante o ano.
Além do Paraná, outros estados com números expressivos são Rio de Janeiro, com 252 registros, Rio Grande do Sul, com 223, e Santa Catarina, com 165.
Pressão política no ambiente de trabalho
Segundo o MPT, parte das denúncias está relacionada a ameaças de demissão, constrangimentos e incentivos a boicotes contra estabelecimentos comerciais por causa de posicionamentos políticos.
O órgão também recebeu relatos de empregadores que teriam incentivado a demissão de funcionários que votaram em candidatos diferentes de sua preferência política.
No Paraná, o Ministério Público do Trabalho recomendou que o vereador e deputado federal eleito Guilherme Kilter, de Curitiba, publique uma retratação após declarações nas redes sociais incentivando empresários a demitir trabalhadores por suas escolhas eleitorais.
Outra denúncia envolve a deputada estadual Jessicão (PL), que publicou mensagens orientando empregadores a dispensar funcionários que apoiaram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Medidas contra o assédio eleitoral
O Ministério do Trabalho e Emprego estuda a criação de uma lista pública de empresas responsabilizadas por práticas de assédio eleitoral. A proposta também prevê possíveis restrições ao acesso dessas organizações a créditos públicos.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que as medidas contra os responsáveis devem ser rápidas e destacou que trabalhadores assalariados, profissionais autônomos e pequenos comerciantes também podem ser vítimas desse tipo de prática.
O assédio eleitoral ocorre quando alguém utiliza uma posição de poder para pressionar, ameaçar ou constranger trabalhadores a apoiar determinado candidato ou posicionamento político.
A legislação brasileira proíbe a discriminação por convicção política. Trabalhadores que sofrerem ameaças ou represálias podem registrar denúncias no Ministério Público do Trabalho.