Amazônia aquece até 3 °C e cientistas alertam para risco de colapso da floresta até 2040
Aumento das temperaturas, secas prolongadas e desmatamento ameaçam o equilíbrio da Amazônia. Especialistas alertam que grande parte da vegetação pode sofrer transformações irreversíveis nas próximas décadas.

A Amazônia enfrenta um aquecimento de 2 °C a 3 °C, superior à média global, e se aproxima de um limite crítico para sua sobrevivência. A combinação de temperaturas elevadas, desmatamento e secas extremas ameaça a capacidade de regeneração da floresta e pode provocar mudanças profundas no clima da América do Sul.
Cientistas alertam que mais de 70% da vegetação amazônica pode estar ameaçada pelo processo de savanização, quando áreas de floresta tropical perdem suas características e passam a apresentar vegetação mais seca e degradada. Na região sul do bioma, a estação seca já dura entre quatro e cinco semanas a mais do que há 40 anos, enquanto as chuvas nesse período diminuíram até 30%.
Segundo o climatologista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia e membro da Academia Brasileira de Ciências, a floresta está próxima do chamado ponto de não retorno. Esse estágio ocorre quando a degradação se torna tão intensa que a vegetação perde a capacidade de se recuperar naturalmente, provocando consequências para o regime de chuvas em diferentes regiões.
O calor excessivo e a falta de água também comprometem a sobrevivência das árvores. Durante secas prolongadas, a circulação de água dentro das plantas pode ser interrompida, provocando a morte da vegetação. O acúmulo de material seco aumenta ainda mais o risco de incêndios florestais e acelera a perda da biodiversidade.
Carlos Nobre alerta que, sem medidas urgentes, a Amazônia poderá atingir esse limite crítico por volta de 2040. Para evitar o cenário, especialistas defendem o fim do desmatamento, o combate às queimadas, a restauração de áreas degradadas e a redução das emissões de gases de efeito estufa, medidas consideradas essenciais para preservar a floresta e sua influência sobre o clima.
Com informações do Metrópoles.
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