Astrônomos descobrem rastro de estrelas fora da Via Láctea que pode revelar segredos da matéria escura

Astrônomos identificaram, em dados do Telescópio Espacial Hubble, o primeiro fluxo estelar de um aglomerado globular já detectado fora da Via Láctea. A estrutura está em uma galáxia localizada a cerca de 115 milhões de anos-luz da Terra e poderá ajudar pesquisadores a investigar a distribuição da matéria escura e a evolução das galáxias.

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Reprodução: Banco de imagens

Uma tênue faixa de estrelas encontrada em uma galáxia distante pode ajudar a ciência a investigar um dos maiores mistérios do Universo: a matéria escura. A descoberta foi feita a partir de dados arquivados do Telescópio Espacial Hubble e corresponde ao primeiro fluxo estelar de um aglomerado globular identificado fora da Via Láctea. A estrutura está localizada na galáxia ultradifusa UGC 9050-Dw1, a aproximadamente 115 milhões de anos-luz da Terra. O estudo foi publicado na revista científica Nature.

O fenômeno acontece porque um aglomerado globular — uma concentração densa de estrelas — está sendo gradualmente desfeito pela força gravitacional da galáxia onde se encontra. Conforme as estrelas são arrancadas do aglomerado, elas formam uma corrente longa e estreita. Ao analisar o formato e o movimento desse rastro, os pesquisadores conseguiram modelar o campo gravitacional da galáxia e estimar sua massa, incluindo quanto dela estaria relacionado à matéria escura.

Embora não possa ser vista diretamente, a matéria escura pode ser estudada pelos efeitos gravitacionais que exerce sobre estrelas e galáxias. Correntes estelares já são utilizadas para investigar sua distribuição na Via Láctea, mas a nova descoberta indica que a mesma técnica poderá ser aplicada a sistemas muito mais distantes. Os cientistas também querem procurar lacunas e concentrações nesses rastros, que podem surgir quando pequenas estruturas de matéria escura atravessam as correntes de estrelas.

A expectativa é que novos telescópios ampliem significativamente esse tipo de pesquisa. Entre eles está o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, projetado para observar áreas muito maiores do céu de uma só vez. Com novas descobertas, os astrônomos esperam compreender melhor como as galáxias se formaram e evoluíram, além de reunir novas pistas sobre a composição e a natureza da matéria escura.

Com informações da CNN Brasil e da revista científica Nature.

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