Bate-boca no STF: Fachin eleva o tom e cobra regras de Dino durante sessão histórica
O presidente da Suprema Corte e o ministro Flávio Dino protagonizaram um momento de tensão no plenário após uma interrupção na fala de Dias Toffoli, resultando em um debate público sobre o regimento interno.

O clima no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) esquentou na sessão desta terça-feira (15) durante a análise sobre a abertura de inquérito envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Em meio à tensão do julgamento, o presidente da Corte, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino protagonizaram um bate-boca público sobre a condução regimental dos trabalhos.
O atrito começou quando o ministro Dias Toffoli ocupava a tribuna e foi interrompido por Dino, que tentou intervir com um aparte. Ao perceber a manobra regimental informal, Fachin interveio de imediato para restabelecer a ordem na condução da sessão.
O presidente da Corte lembrou ao colega que o rito processual exige que qualquer manifestação ou pedido de palavra seja submetido diretamente à presidência do tribunal. A advertência inicial gerou um rápido embate sobre a interpretação das normas internas do Supremo.
Dino argumentou que pretendia seguir estritamente o regimento interno e que o aparte estaria direcionado ao relator do processo. A resposta, contudo, não encerrou a discussão sobre a precedência das orientações da mesa diretora.
Com o tom de voz elevado e gesticulando, Fachin insistiu na necessidade de subordinação às diretrizes da presidência para garantir a harmonia e o andamento fluido da sessão. O magistrado frisou que a concessão da palavra depende exclusivamente do aval oficial da cadeira presidencial.
Apesar da rigidez na cobrança, o presidente assegurou que o espaço de fala seria garantido a Dino, desde que os trâmites formais fossem devidamente respeitados. A insistência mútua em debater a aplicação do regimento interno marcou os bastidores do julgamento.
Enquanto o episódio repercutia entre os presentes, o plenário prosseguia com sua pauta central: decidir se os elementos fornecidos pela Polícia Federal justificam investigações contra Alexandre de Moraes no âmbito do Caso Master.
A tensão institucional do dia também foi reforçada pelas ausências formais de Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, que se declararam impedidos ou suspeitos de votar no processo em virtude de potenciais conflitos de interesse e reflexos eleitorais.
O embate entre os ministros escancara o clima de alta pressão que domina os corredores da Suprema Corte. Sob os holofotes da opinião pública, o tribunal tenta equilibrar o rigor técnico, o respeito às normas e a gestão de crises internas em um de seus momentos mais delicados.
Com informações do Portal Metrópoles
