Besouro invasor ameaça milhões de árvores e pode causar prejuízo bilionário na África do Sul
Espécie originária do sudeste asiático se espalhou pela África do Sul e ameaça árvores urbanas e frutíferas. Estudo estima que a invasão possa provocar um impacto econômico de 275 bilhões de rands sul-africanos em uma década.

Um pequeno besouro invasor está causando um problema ambiental e econômico de grandes proporções na África do Sul. Originário do sudeste asiático, o chamado besouro-da-casca-de-chumbo polífago ataca centenas de espécies de árvores e já foi identificado em praticamente todas as províncias sul-africanas.
O inseto perfura a madeira para formar galerias de reprodução e transporta consigo esporos de um fungo. Dentro da árvore, esse fungo pode bloquear a circulação de água e nutrientes, provocando uma doença que causa sintomas semelhantes aos da seca e pode levar a planta à morte. Dependendo da espécie, o processo pode ser rápido: alguns bordos-negundos podem morrer em cerca de um ano, enquanto carvalhos podem resistir por até quatro anos.
A capacidade de disseminação também preocupa os pesquisadores. Uma única fêmea pode iniciar uma nova população, e o pequeno tamanho do inseto facilita seu transporte escondido em madeira, plantas e materiais de embalagem. Até o momento, aproximadamente 680 espécies de árvores e plantas lenhosas já foram registradas como hospedeiras.
Um estudo realizado por pesquisadores das universidades de Stellenbosch e Pretória estimou que a praga poderá gerar um impacto econômico de 275 bilhões de rands, equivalente a aproximadamente US$ 18,5 bilhões na estimativa feita em 2022, ao longo de uma década. A projeção também aponta que pelo menos 65 milhões das 225 milhões de árvores urbanas da África do Sul poderão precisar ser removidas.
Além do custo financeiro, a perda das árvores pode aumentar o calor nas cidades e reduzir habitats utilizados por pássaros, insetos e outras espécies. Pesquisadores também acompanham a presença do besouro em árvores frutíferas, incluindo pereiras.
Como ainda não existe um tratamento considerado eficaz para eliminar a infestação, a principal estratégia é retirar e destruir árvores afetadas antes que os insetos alcancem novos hospedeiros. Cientistas também pesquisam alternativas de controle biológico, incluindo vespas parasitoides, ácaros e nematóides, mas os métodos ainda precisam passar por avaliações antes de serem aplicados em larga escala.
A preocupação ultrapassa as fronteiras sul-africanas. Estudos apontam que o besouro já se estabeleceu em diferentes partes do mundo e possui capacidade de adaptação a regiões subtropicais e temperadas. Especialistas alertam ainda que as mudanças climáticas podem favorecer sua expansão para novas áreas.
Com informações da CNN.
Siga a Paiquerê FM 98.9 e se mantenha informado: @paiquerefm
