Cerâmica de mil anos revela vestígios antigos de cacau no leste dos Estados Unidos

Análises realizadas em fragmentos de cerâmica encontrados na Geórgia identificaram DNA de cacau com cerca de mil anos. A descoberta representa o registro mais antigo conhecido do alimento a leste do rio Mississippi e indica a existência de extensas redes de troca nas Américas.

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Reprodução / Foto ilustrativa: Banco de imagens

Fragmentos de cerâmica encontrados nas proximidades dos Montículos Indígenas de Etowah, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, preservaram os vestígios mais antigos conhecidos de cacau a leste do rio Mississippi. A descoberta foi feita por meio da análise genética de resíduos presentes nos recipientes e apresentada em um estudo publicado em 26 de agosto na revista científica PLOS One.

Os resultados indicam que populações ancestrais da cultura mississippiana consumiam bebidas feitas com cacau entre os anos 1050 e 1150. Segundo os pesquisadores, o consumo provavelmente ocorria durante celebrações associadas à construção dos monumentos de argila existentes no sítio arqueológico de Etowah.

Os fragmentos analisados foram encontrados durante escavações realizadas na década de 1950. Inicialmente, exames químicos conduzidos pelos arqueólogos Adam King e Terry Powis identificaram cafeína em 31 peças, mas a substância também poderia ter origem em plantas encontradas localmente.

Posteriormente, o sequenciamento genético confirmou a presença de DNA de cacau em dois fragmentos. Para verificar se o material não era resultado de contaminação moderna, os pesquisadores analisaram o estado do DNA e identificaram características compatíveis com aproximadamente mil anos de degradação.

A descoberta também fornece pistas sobre as redes de comércio da época. Como o cacaueiro cresce em regiões tropicais da Mesoamérica, as sementes teriam percorrido milhares de quilômetros antes de chegar ao atual território da Geórgia. Os pesquisadores consideram diferentes possíveis rotas, incluindo o sudoeste, a costa do Golfo e o Caribe.

Para os especialistas envolvidos no estudo, o achado reforça a existência de conexões entre diferentes populações das Américas muito antes da chegada dos europeus, com circulação de produtos, conhecimentos e práticas culturais por grandes distâncias.

Com informações do estudo publicado na revista científica PLOS One e da revista Smithsonian.

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