China sobretaxa carne bovina do Brasil em 55% após esgotamento de cota anual

Medida entra em vigor no início de outubro e eleva a carga tributária total para 67%, gerando novos desafios para o principal exportador global da proteína.

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Foto: Divulgação / Mapa

O governo chinês anunciou a aplicação de uma sobretaxa de 55% sobre as importações de carne bovina provenientes do Brasil. A decisão foi tomada após o esgotamento da cota anual estabelecida de 1,1 milhão de toneladas, marca atingida no final de setembro. Com a nova regra, a taxação adicional passa a valer para as próximas remessas que ultrapassem o limite estipulado pelo mercado asiático.

A cobrança extra soma-se à alíquota padrão de 12% já aplicada pelo país asiático. Dessa forma, a carga tributária total incidente sobre a carne bovina brasileira excedente chega a 67%. A medida protecionista, anunciada inicialmente no começo do ano, tem como objetivo oficial resguardar a produção pecuária interna da China contra a forte entrada do produto estrangeiro.

Nos bastidores diplomáticos e comerciais, o governo brasileiro tentou alternativas para mitigar o impacto da barreira. Uma das propostas ventiladas envolvia o aproveitamento de excedentes de cotas de países vizinhos, a exemplo de entendimentos iniciais com o Uruguai. No entanto, autoridades chinesas não demonstraram abertura para flexibilizar as regras ou aceitar o remanejamento de volumes não utilizados por outras nações.

Especialistas do setor apontam que a rigidez de Pequim reforça um cenário de maior cautela para as exportações nacionais de proteína animal. Além das restrições impostas pelo mercado chinês, a cadeia produtiva enfrenta desafios recentes com medidas de controle adotadas por outros importantes blocos econômicos, como a União Europeia.

Como reflexo dessas barreiras e do fim das cotas sem incidência de sobretaxas, entidades representativas do setor já projetam uma retração nos volumes totais embarcados pelo Brasil ao longo de 2026. A queda estimada reflete o peso do mercado asiático, que se consolidou historicamente como o principal destino da carne bovina brasileira.

Diante do cenário adverso, as atenções do agronegócio nacional voltam-se agora para as negociações futuras e para a definição das regras de comercialização do próximo ano. A expectativa do setor produtivo e exportador é entender se a China manterá o atual modelo de cotas e restrições para as compras externas de carne bovina no ciclo seguinte.

Com informações do Estadão

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Redação Paiquerê FM News

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