Cientistas encontram ouro em veste medieval preservada na Catedral de Canterbury
Análises realizadas em uma vestimenta que pertenceu ao arcebispo Hubert Walter identificaram vestígios de ouro em uma seda medieval preservada na Catedral de Canterbury, na Inglaterra. A técnica de fabricação também levantou a hipótese de que o tecido tenha origem bizantina ou islâmica.

Cientistas identificaram vestígios de ouro em uma vestimenta medieval que pertenceu a Hubert Walter, arcebispo de Canterbury entre 1193 e 1205, durante uma investigação realizada na Catedral de Canterbury, na Inglaterra. A descoberta ocorreu após cinco dias de análises em um fragmento de uma dalmática, tipo de túnica eclesiástica, como parte de um projeto dedicado ao estudo das sedas importadas pela Grã-Bretanha durante a Idade Média.
Atualmente, os elementos metálicos presentes no tecido apresentam uma aparência cinza e fosca. Exames, porém, confirmaram a presença de ouro, indicando que a peça tinha originalmente um aspecto mais brilhante e luxuoso. O metal era empregado para destacar detalhes da estampa, incluindo cabeças e pés de pássaros representados na seda.
Além da presença do ouro, os pesquisadores encontraram características incomuns na técnica utilizada para aplicar o metal ao tecido. As evidências colocam em dúvida a hipótese de uma origem espanhola e indicam que a seda pode ter sido produzida em regiões relacionadas ao Império Bizantino ou ao mundo islâmico.
A equipe agora analisa elementos como técnicas de tecelagem, corantes e representações presentes no tecido. O objetivo é compreender melhor as rotas comerciais responsáveis pela chegada de produtos de luxo aos mosteiros e catedrais britânicos durante o período medieval.
Hubert Walter foi uma figura de destaque político e religioso na Inglaterra entre os séculos 12 e 13, exercendo funções importantes durante os governos de Ricardo I e do rei John. Além da dalmática, os pesquisadores analisaram bolsas de seda utilizadas para proteger selos de cera em documentos históricos.
Novas etapas do estudo deverão buscar a localização exata onde a seda foi produzida. Os resultados estão previstos para serem apresentados em uma conferência e publicados em 2028.
Com informações de Aventuras na História.
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