Cientistas enterram mais de 2 mil peças íntimas para avaliar saúde do solo na Suíça

Pesquisadores da Universidade de Zurique utilizaram calcinhas e cuecas de algodão enterradas no solo para avaliar sua atividade biológica. Quanto maior a decomposição do tecido, maior era, em geral, a presença de organismos responsáveis pela degradação do algodão.

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Reprodução / Foto ilustrativa: banco de imagens

Pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, enterraram mais de 2 mil calcinhas e cuecas de algodão para estudar a saúde do solo e conscientizar a população sobre a importância do manejo adequado da terra. O experimento foi realizado em 2021, contou com cerca de mil voluntários e teve os resultados publicados em agosto na revista científica Plants, People, Planet.

Além das peças íntimas, aproximadamente 12 mil sacos de chá foram enterrados durante a experiência. Após dois meses, os materiais foram retirados da terra e analisados em laboratório.

Os pesquisadores observaram que peças mais preservadas estavam geralmente associadas a solos com menor disponibilidade de nutrientes e baixa atividade biológica. Já tecidos mais decompostos indicavam maior presença de organismos capazes de degradar o algodão.

Entre os ambientes analisados, terras agrícolas, gramados e pastagens apresentaram alguns dos resultados de menor qualidade, enquanto jardins particulares registraram maior atividade de minhocas, fungos e outros organismos.

Os cientistas ressaltaram, porém, que a velocidade de decomposição não deve ser considerada isoladamente para determinar a qualidade do solo. Alguns jardins, por exemplo, apresentaram níveis elevados de fósforo, nitrogênio e potássio, mostrando que diferentes indicadores precisam ser considerados.

A metodologia foi chamada pelos pesquisadores de “índice de roupas íntimas”. Além de gerar dados científicos, a escolha das peças teve como objetivo despertar a curiosidade do público e tornar a discussão sobre conservação e manejo do solo mais acessível.

Com informações do Metrópoles.

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