Cientistas exploram o zeptoverso, escala 100 bilhões de vezes menor que um átomo
Pesquisadores utilizam o Grande Colisor de Hádrons para investigar partículas em escalas extremamente pequenas. Um investimento internacional de aproximadamente R$ 1,1 bilhão pretende ampliar os estudos sobre a estrutura da matéria.

Cientistas estão avançando nas investigações sobre uma das menores escalas estudadas pela física, conhecida informalmente como zeptoverso. O termo faz referência ao zeptômetro, unidade de medida equivalente a um sextilionésimo de metro, ou 0,000000000000000000001 metro. Essa dimensão é aproximadamente 100 bilhões de vezes menor que a escala de um átomo e permite estudar fenômenos que não podem ser observados por microscópios convencionais.
As pesquisas são realizadas no Grande Colisor de Hádrons (LHC), instalado na Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), na fronteira entre a Suíça e a França. O equipamento acelera partículas a velocidades próximas à da luz e provoca colisões de alta energia. Com isso, os pesquisadores conseguem analisar partículas subatômicas e investigar as forças fundamentais que atuam na natureza.
Entre os objetos de estudo está o quark bottom, também chamado de quark beauty, uma das partículas fundamentais que compõem determinados tipos de matéria. Os cientistas investigam especialmente partículas formadas por esses quarks, que podem existir por períodos extremamente curtos antes de se transformar em outras partículas. A análise desses processos ajuda a compreender melhor o comportamento da matéria em escalas microscópicas.
As investigações também podem contribuir, indiretamente, para a busca de respostas sobre a matéria escura, uma das grandes questões da física moderna. Embora seus efeitos gravitacionais sejam observados na formação e no comportamento das galáxias, sua composição permanece desconhecida. Experimentos com partículas podem ajudar a testar teorias que procuram explicar fenômenos ainda não compreendidos.
Para ampliar a capacidade dessas pesquisas, um projeto internacional envolvendo 28 países prevê investimentos de 150 milhões de libras, aproximadamente R$ 1,1 bilhão, na modernização do detector LHCb. A expectativa é aumentar em até dez vezes a quantidade de decaimentos de partículas registrados, permitindo análises mais precisas. Apesar dos avanços, o chamado zeptoverso não representa um universo separado nem um limite mínimo comprovado da natureza, mas uma referência às dimensões extremamente pequenas investigadas pelos cientistas.
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