Crise das Casas Bahia acende alerta para o varejo e reforça debate sobre o comércio em Londrina
Pedido de recuperação judicial da gigante varejista expõe dificuldades do setor enquanto Rua Sergipe encara 31 lojas fechadas

Após o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, o mercado entrou em um cenário de instabilidade até mesmo para grandes empresas do comércio. A insegurança se reflete no ambiente macroeconômico brasileiro, sobretudo no setor varejista.
Depois de anunciar um prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre e o fechamento de 298 lojas, a companhia protocolou o pedido de recuperação judicial.
Especialistas avaliam que há uma tendência de novos casos de reestruturação entre empresas do varejo nos próximos anos. Esse cenário também dialoga com a realidade econômica de Londrina.
No Centro Histórico, a Rua Sergipe, uma das principais áreas comerciais da cidade, passa por um movimento de reestruturação para tentar reativar o comércio local. Para isso, no entanto, são necessárias ações coordenadas entre município, empresas e proprietários de imóveis.
Em fato relevante, a varejista apontou a piora das condições financeiras e citou um ambiente macroeconômico desafiador, marcado pela alta taxa de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
No cenário nacional, as principais reclamações do comércio varejista envolvem a pressão da Selic, o crédito mais restrito, juros elevados e carga tributária. Esses pontos têm sido tema recorrente em debates entre empresários que relatam dificuldades para manter a atividade.
Londrina
A Rua Sergipe, que já foi um dos maiores polos comerciais de Londrina, hoje busca recuperar a força de outros períodos. O fechamento de lojas na região está relacionado a diversos fatores que dificultam a permanência dos comércios no local.
As reclamações incluem problemas já observados no cenário nacional, como custos altos, juros elevados e menor poder de consumo. Mas, no caso da região central, há ainda diferenças em relação a áreas mais novas da cidade, que têm registrado maior dinamismo comercial, principalmente pelo perfil do público, renda e rotatividade dos negócios.
Para especialistas, o Centro precisa se adaptar a uma demanda de consumo mais rápida e prática. Hoje, o público busca conveniência, agilidade e facilidade de acesso, características que nem sempre são encontradas na estrutura atual da região.
Apesar das dificuldades, lojistas da Rua Sergipe buscam mobilização para cobrar a revitalização da área. Para comerciantes e especialistas, a recuperação do espaço deve passar também pela ampliação do uso da rua para além do horário comercial.
A adaptação de prédios e lojas às necessidades atuais, a melhoria da estrutura urbana e a criação de condições para a chegada de novos negócios estão entre as principais demandas defendidas para fortalecer novamente o comércio da região.
Texto: Rafael Guerra sob a supervisão dos jornalistas da Paiquerê FM 98.9
