Coreia do Sul cobra desculpas após Zelenski revelar ida de prisioneiros norte-coreanos a Seul

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A Coreia do Sul exigiu um pedido oficial de desculpas da Ucrânia depois que o presidente Volodimir Zelenski disse publicamente que Kiev havia transferido para Seul dois prisioneiros de guerra norte-coreanos – uma informação que, segundo autoridades sul-coreanas, deveria permanecer sob sigilo.

Zelenski afirmou na semana passada, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que a Ucrânia havia enviado recentemente os dois homens à Coreia do Sul, após capturá-los em um campo de batalha da guerra entre Ucrânia e Rússia no início de 2025. Eles estariam entre milhares de soldados norte-coreanos deslocados para apoiar a ofensiva russa.

O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, acusou a Ucrânia de violar um acordo de confidencialidade sobre a operação. Kiev negou que tenha firmado esse tipo de entendimento.

No domingo (27) à noite, Seong Ghi-hong, assessor presidencial sênior de Lee para comunicação, expressou “forte pesar” e cobrou desculpas e explicações formais. Nesta segunda-feira, 28, o Ministério das Relações Exteriores sul-coreano convocou o embaixador da Ucrânia em Seul, Andrii Vieshkin, para protestar contra o que chamou de “divulgação unilateral” do caso e contra a “falsa” negação de que haveria acordo para manter o assunto em sigilo. Segundo o ministério, o embaixador disse que levará a posição de Seul ao seu governo. A embaixada ucraniana não respondeu a pedidos de comentário.

Seong afirmou que a negação “falsa” do acordo “mina seriamente a confiança” entre os dois governos e pode causar “dano significativo” às relações bilaterais. Ele disse que o sigilo foi discutido porque Seul temia pela segurança dos prisioneiros e de seus familiares na Coreia do Norte, enquanto Kiev se preocupava com eventuais críticas internas por abrir mão da possibilidade de trocá-los por ucranianos detidos na Rússia.

Ainda na Ucrânia, os dois militares deram entrevistas dizendo que desejavam se estabelecer na Coreia do Sul. Seul vinha pedindo que a Ucrânia não os devolvesse à Coreia do Norte, onde poderiam sofrer perseguição. A legislação sul-coreana considera o Norte parte de seu território e prevê acolhimento e apoio a desertores.

Mais de 34 mil norte-coreanos fugiram para a Coreia do Sul desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), sobretudo nas últimas três décadas. A maioria são civis e deserções de soldados são incomuns.

No discurso na ONU, Zelenski não detalhou a transferência, mas relatou que um dos prisioneiros tentou se matar ao perceber que seria capturado. Especialistas ouvidos pela Associated Press avaliam que Zelenski pode ter exposto o episódio para destacar os riscos do envolvimento norte-coreano na guerra e, assim, buscar ampliar o apoio ocidental. Já o governo sul-coreano temia que a notícia provocasse reação de Pyongyang e atrapalhasse tentativas de retomar a diplomacia entre Coreia do Norte e EUA.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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Estadão

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