Estudo aponta afundamento do solo em cidades do mundo e registra queda de até 21 centímetros por ano no México

Uma pesquisa publicada em revista científica analisou o afundamento do solo em cerca de 465 cidades ao redor do mundo. O levantamento identificou regiões da Cidade do México com rebaixamento de aproximadamente 21 centímetros por ano e alertou para os impactos da retirada excessiva de água subterrânea, da urbanização e dos períodos prolongados de seca.

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Reprodução / Foto ilustrativa: banco de imagens

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (12) analisou o afundamento do solo em cerca de  465 cidades de diferentes regiões do mundo. A pesquisa, publicada na revista científica Nature, utilizou dados coletados entre 2014 e 2023 para identificar alterações na superfície terrestre e compreender os fatores que contribuem para o fenômeno.

O levantamento foi realizado com a tecnologia InSAR, que utiliza radares instalados em satélites para medir pequenas movimentações do terreno ao longo do tempo.

Entre os resultados, a Cidade do México apresentou uma das situações mais preocupantes. Em determinadas regiões da capital mexicana, o solo afunda aproximadamente 217 milímetros por ano, o equivalente a cerca de 21,7 centímetros. Considerando toda a cidade, a taxa mediana de rebaixamento é de 8 milímetros anuais.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno está associado principalmente a atividades humanas, como a retirada excessiva de água subterrânea, o peso das construções e a exploração de minerais e gás natural.

Fatores naturais também contribuem para o problema. A compactação de sedimentos, por exemplo, pode provocar o rebaixamento do terreno, especialmente em cidades construídas em regiões costeiras, deltas de rios e planícies aluviais.

Os períodos prolongados de seca representam outra preocupação. Com a redução da disponibilidade de água na superfície, aumenta a necessidade de utilizar reservas subterrâneas, o que pode acelerar o afundamento do solo e ampliar os riscos de inundações.

Em cidades como Nova York, Londres, Tóquio, Pequim, Seul, Sydney, Boston, Montevidéu e Nápoles, o estudo identificou movimentações menores, com variações de aproximadamente 0,1 a 1,9 milímetro por ano, entre afundamento e elevação do terreno.

Os cientistas destacam que a falta de levantamentos padronizados dificultava a comparação entre diferentes regiões do planeta. Com o novo mapeamento, será possível compreender melhor a dimensão do problema e auxiliar no planejamento de medidas de prevenção.

A pesquisa reforça a necessidade de monitoramento contínuo das áreas urbanas, principalmente onde o afundamento do solo pode comprometer construções, redes de infraestrutura e aumentar a vulnerabilidade a enchentes.

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